quinta-feira, 10 de maio de 2018

Lula e o truque do diabo. Por Marcio Sotelo Felippe


Lula e o truque do diabo. Por Marcio Sotelo Felippe

Lula no Ato em defesa da democracia e por justiça
para Marielle e Anderson, no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Stuckert)
 
 
 “A primeira coisa a fazer: matar todos os advogados”
– Dick the Butcher, personagem de Shakespeare em Henrique 6º

Lula tinha três opções quando sua prisão foi decretada. Entregar-se, resistir, exilar-se. Sabe-se que seu entorno se dividiu entre elas. O núcleo jurídico defendia a primeira. O núcleo político uma das outras duas. A primeira, ao fim e ao cabo, era a opção pela institucionalidade, pela defesa meramente judicial.

As duas últimas escolhas significariam atos políticos de enfrentamento do golpe. Eram as corretas. Mais do que dizer golpe, era necessário agir como se age diante de um golpe, o que significa, antes de mais nada, não entregar seu corpo aos golpistas. Lula é mantido isolado e não pode haver dúvida razoável neste momento de que seus carcereiros estão empenhados em sua destruição psíquica e em mantê-lo preso pelo resto de seus dias.

A escolha, assim, foi jurídica. Havia a expectativa de julgamento, na semana seguinte, da Ação Direta de Constitucionalidade que poderia declarar que a prisão sem trânsito em julgado violava a presunção de inocência estabelecida pela Constituição. Isto teve forte peso na decisão de Lula de submeter-se passivamente ao decreto de prisão de Moro.

Apostar temerariamente no voto da melíflua, sibilina e sinuosa Rosa Weber era um erro. Imaginar que a presidenta do STF, comprometida com o golpe até o pescoço, permitisse fosse deliberada a ADC, outro erro. Ambos consequência da mãe de todos os erros: supor que um golpe se derrota com um recurso ao Judiciário.

Na lógica inexorável do golpe jamais aquele julgamento aconteceria naquele momento. O golpe havia, afinal, chegado à sua consumação triunfante: depois de derrubar a presidenta constitucional, encarcerar aquele que seria, segundo todos os prognósticos razoáveis, o próximo presidente da República.

Um golpe e um regime de novo tipo. Desde, digamos, Napoleão III até as ditaduras militares da América Latina entendemos golpe como uma ruptura rápida que elimina do cenário político os adversários e rompe com a estrutura jurídica e política anterior.

Os golpes de novo tipo fazem tudo diferente. São difusos. Não há um agente facilmente identificável que deflagra o processo. O Judiciário pode protagonizar o golpe, como em Honduras e no Brasil. São preservadas as instituições políticas e jurídicas típicas do Estado de Direito. Age-se no seio delas aparentando, insidiosamente, respeitar a legalidade que estão violando. A vigência e o texto da Constituição não se alteram, mas sua matéria é esvaziada por meio de interpretações anômalas, bizarras, e assim instaura-se um estado de anomia constitucional em que tudo é permitido porque desconsidera-se até mesmo o quadro lógico mínimo estabelecido pela linguagem normativa.

O objetivo do golpe, derrubar a presidenta, aniquilar um partido político e sua maior liderança política para que não voltasse ao poder, foi avançando passo a passo nessa anomia constitucional. Moro violou a proteção constitucional do sigilo das comunicações entregando a uma rede de televisão a conversa de dois presidentes da República, sob o olhar complacente e omisso do STF.

O impeachment, que em toda nossa tradição jurídica e constitucional exigia um crime de responsabilidade, foi transformado em uma espécie de voto de desconfiança que só existe no parlamentarismo, igualmente sob o olhar complacente e omisso do STF. A própria Corte, por fim, autorizou a prisão de Lula negando-lhe o habeas corpus mediante uma interpretação esdrúxula da presunção de inocência, mas de acordo com o “princípio da colegialidade” que, claro, como todo o mundo civilizado sabe, se sobrepõe ao princípio da liberdade.

Esse quadro mostra simplesmente a categoria ditadura, embora sob nova forma. 

Concentração do poder e ausência de limites constitucionais.

Contribuições teóricas recentes e oportunas, ainda que sob nomenclaturas diferentes ou com nuances de abordagem, identificam esse fenômeno em que a aparência de Estado de Direito é preservada para encobrir e legitimar a concentração de poder e a ineficácia de regras constitucionais que o limitem. Rubens Casara, em seu Estado pós-democrático (2017), observa que “a figura do Estado democrático de Direito, que se caracterizava pela existência de limites rígidos ao exercício do poder (e o principal desse poder era constituído pelos direitos e garantias fundamentais), não dá mais conta de explicar e nomear o Estado que se apresenta”.

A perspectiva de Pedro Estevam Serrano também vê o estado de exceção, embora não o identifique como permanente. Mas acrescenta um ingrediente largamente utilizado no atual processo político e social brasileiro e, a rigor, clássico do fascismo: a construção do inimigo interno. De fato, o reacionarismo, ou por vezes o filofascismo da classe média acolheu amplamente em seu imaginário a criminalização e a desumanização da esquerda.

Essa ditadura de novo tipo é a forma política do neoliberalismo. A captura integral do Estado pelo mercado. A categoria do político tem que ser diluída para ampliar e acelerar a acumulação. Nesse contexto, diluir o político significa expulsar do cenário político e social os que defendem direitos e as políticas de bem-estar social que podem retirar da miséria milhões de brasileiros.

Lula decidiu se entregar e ao fazê-lo agiu como se tudo não passasse de uma contingência a ser resolvida juridicamente pelos bons juízes que ainda há em Berlim. Escreveu uma carta no 1º. de maio afirmando que vivemos em uma democracia incompleta. O que estamos vivendo desde 2016 não é uma democracia incompleta. É uma ditadura completa. Como disse Baudelaire, o truque mais esperto do diabo é convencer-nos de que ele não existe.

O que vai tirar Lula da cadeia é a luta de classes, a verdade e a razão que só estão nela e em lugar nenhum mais. E a arena da luta de classes não é o parlamento, a sala do pleno do STF ou o gabinete do Moro. É a rua.

Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/lula-e-o-truque-do-diabo/

 


Confira:

Técnicas golpistas do prostíbulo judicial do "cidadão de bem"

 

Pra Frente, Brasil (1982) – Direção Roberto Farias

 

Sérgio Moro na cadeia

 



Confira também:

Os livros da Editora Cia. Fagulha podem ser adquiridos diretamente pelo site da editora ( www.ciafagulha.com.br ) ou na Livraria Augôsto/Augusta (Rua Augusta, 2161 - São Paulo-SP)







segunda-feira, 7 de maio de 2018

Técnicas golpistas do prostíbulo judicial do "cidadão de bem"


Técnicas golpistas do prostíbulo judicial do "cidadão de bem".

Em "nome da lei" e da "ordem":
Em "nome da lei" e da "ordem" crucificaram Jesus, fizeram a Inquisição e o Holocausto, deram golpes de Estado, perseguiram, torturaram e mataram.
E sempre apareciam analfabetos políticos, que se autointitulavam "cidadãos de bem", para aplaudir as mais cruéis e insanas barbaridades.

Técnicas golpistas do prostíbulo judicial do "cidadão de bem".
1. Alijar adversários da disputa eleitoral via artificialismos, arbitrariedades e fraudes processuais (lawfare, mídia golpista, MP e Judiciário partidarizados etc.). Para isso, recorre-se ao estupro em série da Constituição, ao atropelo de regras básicas de convívio e à incivilidade orquestrando o rebanho.
2. Jornais impressos/televisivos fabricando fake news (há décadas).
3. Uso criminoso da tecnologia (powerpoint picareta) para acusações despropositadas e sem fundamentos básicos.
5. Soberania na lata do lixo com indiferença/apoio das Forças Armadas.
6. Corolários: Alexandre Frota para ministro da cultura; censura e regras ditadas por analfabetos funcionais e políticos; ignorância presidindo redações e vídeos patéticos.
7. Festejos no altar sagrado do "cidadão de bem": dando sede pertinente às sevícias e crimes em nome da “ordem e progresso”.
8. Fauna fascista tem proteção institucional para cometer barbaridades: Tiros, quebra de aparelhos de som, perseguições, violências e agressões não são investigadas, pois as bestas-feras não podem ser incomodadas em suas múltiplas perversões (desde que as vítimas, obviamente, continuem sendo os “vermelhos” e “bolivarianos”). Se necessário, caminhonetes estão sempre à disposição. Infraestrutura golpista nacional e internacional.
10. Hoje, vocês é quem mandam. Mas a hora da verdade chegará, e aí faremos o acerto de contas com os golpistas de todos os matizes.
11. De todo modo, o diagnóstico (Metástase no “governo” de Temerlão I) preocupa o Dr. Toicinho, CEO do PIG desde 1939, bem como seus cúmplices do golpe de Estado.

 


Confira:

Pra Frente, Brasil (1982) – Direção Roberto Farias

 

Sérgio Moro na cadeia

 

Jango – Documentário de Sílvio Tendler

 

O dia que durou 21 anos - COMPLETO

 

Fãs(cistas) de Moro, Bolsonaro e Globo cometem atentado a tiros contra acampamento Marisa Letícia em Curitiba

 

Exclusivo: Dilma Rousseff no Democracy Now! (Em Português)

 

Filme O desafio, de Paulo Cezar Saraceni

 

O Golpe de Estado de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil - UERJ. Aula inaugural com Ricardo Lodi e Emir Sader

 

O Golpe de 2016 e o futuro da democracia. Entrevista com Luís Felipe Miguel

 

Curso Livre “O Golpe de 2016 e a Educação no Brasil” – Aulas 1 a 5 - Faculdade de Educação – UNICAMP

 

Vade retro, Bolsonaro 666

 

Revista Alfafa alerta contra grupos terroristas que ameaçam invadir o Brasil e sequestrar a produção de alfafa

 

Mesada do Mineirinho - entregador do dinheiro afirma que Aécio era o mais chato na cobrança de propina

 

Moro, desembargadores do TRF-4, a farsa da sentença do tríplex do Guarujá e as "armas de destruição em massa" inventadas pelos golpistas


 

Soberania

 

 

Judiciário

 

Temer e a segurança pública

 



Confira também:

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