segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vila Cruzeiro, Complexo do Alemão e outros territórios



Vila Cruzeiro, Complexo do Alemão e outros territórios


As ambiguidades dos traficantes esgotam-se.

Nutriam-se do pavor que suas armas e brutalidade impunham, mas apareciam como beneméritos com suas ações supostamente sociais de auxílio à comunidade.

Amparados no medo impostos à população, os traficantes saíram do Alemão destruindo eletrodomésticos e utensílios de suas mansões camufladas.

O recado foi dado. Já que o chefão não pode usar, ninguém poderá fazê-lo. A figura do benfeitor explodiu e os mandões fugiram pelo esgoto, morada mais apropriada.

O contraste entre a vida dos soldados do tráfico, proletários, e a de seus patrões, os capitalistas do tráfico, ficou evidente em rede nacional. Há os que trabalham e os que são proprietários dos meios de produção e, por consequência, se apropriam da riqueza.

Portanto, semestres inteiros de formação de economia política foram resumidos em poucos dias e de maneira tão clara e explícita.

Territórios e armas devem estar nas mãos do Estado, que exerce preceito constitucional do monopólio da violência legal.

O consumo de drogas não pode ser banido, uma vez que continua a demanda por elas.

Políticas públicas implementadas conduzirão à paz: distribuição de renda, presença do Estado com serviços de saúde, educação, habitação, transporte etc. Ou seja, dignidade!






sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda



DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda


O DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda, dispositivo piguiano incumbido de produzir realidades convenientes aos poderosos, tem sofrido revezes importantes em sua atuação.

Antes, os elogios borbulhavam aos serviços prestados pelo DIP para manter a estrutura social inalterada e sem aborrecimentos para as oligarquias há 500 anos encasteladas no poder.

Agora, os devotos do conservadorismo mostram sem pejo sua irritação com a ineficácia das ações implementadas pelo DIP.

A razão da contrariedade parece residir na incapacidade de formular estratégias que possam viabilizar o retorno dos senhores da Casa Grande ao poder federal, desalojados por: um ex-metalúrgico, uma ex-guerrilheira e uma população arredia aos comandos até então infalíveis do DIP.

Alguns especialistas, integrantes do QG do DIP, não imaginam retorno nem a longo prazo, provocando aflições de todos os gêneros no baronato demobicudo.

Dizem que as doses de Derrotox 45 ingeridas desde 2002, mas especialmente as consumidas no pleito de 2010 podem ter sido fatais para os planos do tão sonhado regresso.

Ademais, os brasileiros não estão mais dispostos a se enredar nas ladainhas piguianas e as sucessivas mentiras alardeadas pelo DIP passaram a ser identificadas como o que são: formas manipulatórias para induzir incautos.

A eliminação da miséria e da pobreza tende a levar de roldão o DIP, pois sua existência perderá completamente a serventia.



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Reacionários tupiniquins e de outros trópicos




Reacionários tupiniquins e de outros trópicos


Pitacos do dia


1. A burguesia brasileira é tão reacionária que o cumprimento mínimo da Constituição deixa seus porta-vozes piguianos surtando.

2. A Irlanda ajoelhou-se à cartilha neoliberal. O governo quebrou o país e agora quer transferir toda a conta para os trabalhadores.

3. O PIG resolveu criar o BLOG S/A (movido a $$$$$) para se confrontar com os blogueiros progressistas. Novidade!

4. Será apenas repeteco do PIG. A imaginação dessa gente só serve para transformar bolinha de papel em objeto contundente etc.

5. Melhor para nós. Esse pessoal não tem autonomia nem para parafrasear. O texto vem prontinho do QG piguiano.

6. MarceloTas ou "leva e traz"? Porta-voz piguiano e de outras baboseiras.



Encontro com blogueiros no Palácio do Planalto - Lula



Encontro com blogueiros no Palácio do Planalto





quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Monopólio das oligarquias da comunicação


Monopólio das oligarquias da comunicação


Se dependesse do monopólio das oligarquias da comunicação:


Seria reinstalada a escravidão no Brasil;

A ditadura militar eternizar-se-ia (não é, PIG?);

O salário mínimo convertido a menos da metade;

As férias revogadas de chofre;

O 13º salário não existiria;

As conquistas sociais transformadas em peças de museu;

Avanços dos trabalhadores, apenas ficção.


Serra seria presidente;

Os pedágios iriam fazer o Brasil progredir (segundo a elite);

A jornada diária de trabalho possivelmente dobraria;

As escolas públicas privatizadas;

E quem não tivesse dinheiro para a saúde, morreria.


Petrobras, CEF e Banco do Brasil iriam para o mercado santificado;

Para o povo, restaria banana. Podre!


Ainda bem que existem os blogueiros progressistas, que levantam barricadas contra a intolerância, o obscurantismo e os preconceitos dos proprietários da mídia reacionária e seus representantes / representados.


Os que lutam – Bertolt Brecht



Os que lutam – Bertolt Brecht


Os que lutam


Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;

Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;

Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;

Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.



DE QUE SERVE A BONDADE - Bertolt Brecht




DE QUE SERVE A BONDADE

Bertolt Brecht


1

De que serve a bondade

Se os bons são imediatamente liquidados, ou são liquidados

Aqueles para os quais eles são bons?

De que serve a liberdade

Se os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão

Se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?


2

Em vez de serem apenas bons, esforcem-se

Para criar um estado de coisas que torne possível a bondade

Ou melhor: que a torne supérflua!

Em vez de serem apenas livres, esforcem-se

Para criar um estado de coisas que liberte a todos

E também o amor à liberdade

Torne supérfluo!

Em vez de serem apenas razoáveis, esforcem-se

Para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo

Um mau negócio.



PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ - Bertolt Brecht



PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ

Bertolt Brecht


Quem construiu a Tebas de sete portas?

Nos livros estão nomes de reis.

Arrastaram eles os blocos de pedra?

E a Babilônia várias vezes destruída--

Quem a reconstruiu tanta vezes? Em que casas

Da Lima dourada moravam os construtores?

Para onde foram os pedreiros, na noite em que

a Muralha da China ficou pronta?

A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo

Quem os ergueu? Sobre quem

Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio

Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo

na lendária Atlântida

Os que se afogavam gritaram por seus escravos

Na noite em que o mar a tragou.

O jovem Alexandre conquistou a Índia.

Sozinho?

César bateu os gauleses.

Não levava sequer um cozinheiro?

Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada

Naufragou. Ninguém mais chorou?

Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.

Quem venceu alem dele?

Cada pagina uma vitória.

Quem cozinhava o banquete?

A cada dez anos um grande Homem.

Quem pagava a conta?

Tantas histórias.

Tantas questões.



segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Arrogância do Clero e Política e religião - Pat Condell legendado



A Arrogância do Clero - Pat Condell legendado







Política e religião - Pat Condell legendado





sábado, 20 de novembro de 2010

Não sonho mais - Chico Buarque




Não sonho mais - Chico Buarque








Não Sonho Mais

Chico Buarque


Hoje eu sonhei contigo,

Tanta desdita! Amor, nem te digo

Tanto castigo que eu tava aflita de te contar.


Foi um sonho medonho

Desses que, às vezes, a gente sonha

E baba na fronha e se urina toda e quer sufocar.


Meu amor, vi chegando

Um trêm de candango

Formando um bando,

Mas que era um bando

De orangotango pra te pegar.


Vinha nego humilhado,

Vinha morto-vivo, vinha flagelado.

De tudo que é lado

Vinha um bom motivo pra te esfolar.


Quanto mais tu corria

Mais tu ficava, mais atolava,

Mais te sujava. Amor, tu fedia,

Empesteava o ar.


Tu que foi tão valente

Chorou pra gente. Pediu piedade

E, olha que maldade,

Me deu vontade de gargalhar.


Ao pé da ribanceira acabou-se a liça

E escarrei-te inteira a tua carniça

E tinha justiça nesse escarrar.


Te "rasgamo" a carcaça

Descendo a ripa. "Viramo" as tripas,

Comendo os "ovo", ai!,

E aquele povo pôs-se a cantar.


Foi um sonho medonho,

Desses que, às vezes,

A gente sonha e baba na fronha

E se urina toda e já não tem paz.


Pois eu sonhei contigo e caí da cama.

Ai, amor, não briga! Ai, não me castiga!

Ai, diz que me ama e eu não sonho mais!




Quadrilha - Chico Buarque e Francis Hime




Quadrilha - Chico Buarque e Francis Hime




Quadrilha
Chico Buarque


E neste ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E neste ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Não me leve a mal
Não me leve a mal

O forró corria manso, sem problema e sem vexame
Quando o chefe da quadrilha decretou changer de dame
A mulher do delegado rendeu o bacharel
O peão laçou a jovem filha do coronel
A Terezinha Crediário deu um passo com o vigário
A beata com o sacristão
Diz que a senhora do prefeito
Merecidamente eleito
Foi com o líder da oposição
Não tem nada não
Não tem nada não

Zé-com-fome deitou olho na patroa do ``seu'' Lima
Que não faz xodó na moça mas também não sai de cima
Juca largou a sanfona e, abandonando o salão
Foi prevaricar com a dona que vendia quentão
E foi doente com doutora, indigente e protetora
Foi aluna com professor
E o perigoso bandoleiro, Zé Durango ``El Justicero''
Fez beicinho pro promotor
Mas, faça o favor!
Mas, faça o favor!

O forró estereofônico estava mesmo um barato
Muita música na praça e muita dança lá no mato
Quem gozou da brincadeiram, muito bom, muito bem
Quem tomou chá de cadeira, só no ano que vem
Pois nesse ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E nesse ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Ninguém leva a mal
Ninguém leva a mal


Outras intervenções sobre investigações a realizar:

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pitacos do dia e outras palavras



Pitacos do dia e outras palavras


Alienação: nunca mais!

Nota de falecimento: “João, otário de plantão”, morreu. Causa mortis: Empanturrado com os inúmeros anos de investidas do PIG para fazer-lhe lavagem cerebral. O sepultamento ocorreu sem que seus familiares se lamentassem. Ao contrário, a euforia foi geral. João despertou do berço esplêndido e renasceu: deixou a alienação para trás e, de agora em diante, recusa-se à prescrição de lobotomia imposta diuturnamente pelo PIG. Dizem que passou até a frequentar reuniões nas quais não se ajoelha ao deus Capital. Largou o senso comum numa esquina qualquer e está irreconhecível. Seu antigo preceptor, Pangloss-PIG, encontra-se furioso e já pediu conselhos ao Farol de Alexandria, mas este, por conta da senilidade e do currículo, vem sendo escondido por seus pares bicudos. Há quem diga que João passou a ler material de qualidade e deixou de lado todas as estultícias piguianas. Sua saúde mental é excelente e anda de papo cabeça com uma estudante de ciência política.


Alienação

A ignorância é a maior erva daninha do mundo: ela propicia a corrupção e todo tipo de abusos contra os setores mais pobres e vulneráveis.


Questão de Princípios de "homens públicos".

Se há bens: "Habeas corpus".

Senão: "Teje preso!"


$$$$$$$$

A facilidade com que os tubarões obtêm milhões/bilhões em malas, bolsos e Bolsas é emblemático da corrupção intrínseca às instituições. A contrapartida de tudo isso é a miséria produzida por esses parasitas sociais.


Crise financeira internacional

Estamos assistindo ao derretimento do mercado financeiro internacional desregulamentado. O dinheiro sem restrição e multiplicado especulativamente só produz ruínas. Vamos repudiar os representantes políticos (PSDB, PFL-DEMO etc.) dessa desgraça econômica (neoliberalismo).


Educação

O aborto da curiosidade natural das crianças é sintomático da escola autoritária. Por isso, a escola com essa característica é tão triste.


Mercadoria educacional

A mercantilização não poderia criar outro tipo de coisa. Quando presenciamos o divórcio das práticas escolares com a realidade --- como observado largamente por aqueles que têm um mínimo de sensibilidade para compreender a tristeza da escola burocrática---, não nos surpreendemos pelo repúdio manifestado pelos alunos diante dos professores que mantêm suas aulas fossilizadas e imersas em formol. Sábias são as crianças que repelem esse estado de coisas. Entretanto, precisamos criar alternativas que possibilitem a produção de espaços de reflexão para abrir caminhos que impeçam as crianças de caírem num beco sem saída.


Educação II

Indicadores oficiais revelam a existência no Brasil de 2 milhões de analfabetos entre crianças de 7 a 14 anos, apesar da maioria frequentar escolas.

Precisamos pensar no fatores geradores dessa situação e como a interdisciplinaridade pode colaborar para atacar o problema.


Vida e educação.

A escola alheia à realidade é típica da obsolescência programada das instituições escolares caducas.


Educação autoritária

A reflexão consciente sobre nossa própria infância já pode ser um antídoto contra a imposição da lei do mais forte. É um caminho mais longo, mas certamente mais saudável, dialogar e compreender as potencialidades e as razões que os outros expressam. Assim procedendo seremos mais sensatos para agir com amor e não com intolerância.


Imprensa "livre" quer pautar a humanidade

Irremediável blogueiro independente é atacado pois não segue a cartilha e o catecismo neoliberal defendidos pelo PIG. Por não curvar-se aos mandamentos totalitários da imprensa “livre”, seu comportamento é repreensível para os sagrados guardiões (pretensos proprietários) da humanidade. Eles estão apavorados pela simples razão de que estão perdendo, aos poucos, o vasto monopólio das comunicações. Talvez a internet seja a primeira cidadela onde isto se configura. Caso a democracia seja alargada em nosso país, outras mídias também serão beneficiadas pelo ar fresco de ideias que combatem o bolor embalsamado das mentalidades oligárquicas. Felicitações pelo seu programa.


A burguesia na cadeia

O Arruda chora na cadeia. Suas choramingas não convencem nem os mais tolos, apenas seus fanáticos (os tolos sem cura).



Inglaterra: castiguem os ricos, não os desempregados




Inglaterra: castiguem os ricos, não os desempregados


Os conservadores lançaram um ataque brutal às pessoas desempregadas para desviar as críticas dos verdadeiros parasitas: os ricos. Na semana passada, o governo anunciou que os desempregados que solicitam auxílio deverão realizar trabalhos não remunerados: caso se neguem a fazê-lo, perderão o subsídio. Os chefes e a imprensa da direita estão encantados. O Daily Mail anunciou com alegria: “Em uma nova ofensiva contra os parasitas sociais, os desempregados irresponsáveis terão que participar de um programa de trabalho exigente, estilo EUA, que incluirá a obrigação de realizar trabalhos de jardinagem, limpeza de lixo e outras tarefas manuais por apenas 1 libra a hora”. O artigo é de Viv Smith.

O plano de emprego dos conservadores ataca os desempregados. O programa de mão de obra barata nos agride a todos. Os conservadores lançaram um ataque brutal às pessoas desempregadas para desviar as críticas dos verdadeiros parasitas: os ricos. Na semana passada, o governo anunciou que os desempregados que solicitam auxílio deverão realizar trabalhos não remunerados: caso se neguem a fazê-lo, perderão o subsídio. Os chefes e a imprensa da direita estão encantados. O Daily Mail anunciou com alegria: “Em uma nova ofensiva contra os parasitas sociais, os desempregados irresponsáveis terão que participar de um programa de trabalho exigente, estilo EUA, que incluirá a obrigação de realizar trabalhos de jardinagem, limpeza de lixo e outras tarefas manuais por apenas 1 libra a hora”.

O programa tem por objetivo eliminar postos de trabalho e cortar custos ao utilizar mão de obra praticamente gratuita. Em troca, os desempregados maiores de 25 anos receberão um subsídio de 65,45 libras; os menores de 25, receberão apenas 51,5 libras. O ponto de partida dessa política é uma grande mentira: que existem muitos postos de trabalho disponíveis e que, se alguém não está trabalhando, é porque não está se esforçando para isso. Em toda Inglaterra há 459 mil postos de trabalho disponíveis. Em média, cada emprego destes é disputado por cinco pessoas, em um universo de 2,5 milhões de desempregados, sem incluir os 1,2 milhões de trabalhadores de tempo parcial que desejam trabalhar tempo completo. E sem incluir também às centenas de milhares de pessoas que perderão seus trabalhos graças aos cortes promovidos pelos conservadores.

Os desempregados não são os culpados mas sim as vítimas deste sistema, cujos autênticos responsáveis são os mais ricos e mimados, assim como os milionários conservadores. O gabinete governamental – onde abundam pessoas que nunca trabalharam na vida – planeja castigar pessoas como Louise Whiteside, uma escocesa de 23 anos. Licenciada na Universidade de Dundee com um título de primeira classe, não encontra trabalho. Ela contou à revista Socialist Worker:

“Ontem solicitei um posto de camareira em um hotel, para o qual se apresentaram outras 250 pessoas. Em três meses, já me candidatei para 150 trabalhos e distribuí meu currículo por Edimburgo, Dundee e Dumfries e Galloway. Esforcei-me muito na universidade e não esperava passar por isso. Creio que terei que ir morar na casa de meus pais. São repugnantes as mentiras que os conservadores contam sobre nós que pedimos o auxílio desemprego. Se querem nos estimular a trabalhar, que nos dêem postos de trabalho, ao invés de nos destruir”.

Mas os planos não se limitam a atacar os desempregados. Holly Smith, representante sindical de GMB no departamento de resíduos numa prefeitura de Brighton, acreditam que todos os trabalhadores estão no alvo. “Se o patrão pode conseguir que alguém trabalhe sem remuneração, por que pagariam a outra pessoa?” – pergunta. “As normas de segurança e saúde não são mais consideradas. Fazemos um trabalho físico duro, manipulando agulhas, vidros quebrados, vômitos. Eles esperam que esse serviço seja feito por pessoas sem formação, inclusive com problemas de saúde? É como a escravidão, uma forma de exploração”.

Frente aos cortes em seus orçamentos, as prefeituras despediram os trabalhadores, que logo terão que fazer o mesmo trabalho gratuitamente.

Sindicatos

Há dez anos, quando um programa similar foi adotado em Nova York, milhares de trabalhadores sindicalizados foram substituídos por desempregados. O novo programa prejudicará, sobretudo, as pessoas descapacitadas e aos pais solteiros e mães solteiras, porque têm menos flexibilidade e muito menos possibilidades quando há tantos competidores.
Colin Hampton, coordenador dos Centros de Trabalhadores Desempregados de Derbyshire, afirma: “Quando um governo consegue que as pessoas trabalhem pelo auxílio desemprego, o trabalho de todos está em perigo. Primeiro te deixam sem trabalho e logo em seguida dizem que é preciso se acostumar a trabalhar: é indignante”.

Em 2008, foi publicado um informe sobre revisão de programas similares aplicados nos EUA, Canadá e Austrália. Segundo este informe: “Há poucas provas de que a participação no programa incremente as possibilidades de encontrar trabalho. Inclusive pode reduzi-las, ao limitar o tempo disponível para a busca de emprego”.

Os conservadores pensam que os desempregados são fracos e impotentes. Temos que enfrentá-los, unindo trabalhadores e desempregados. É essencial que os sindicatos passem a liderar essa luta.

O problema é o desemprego, não que as pessoas sejam resistentes ao trabalho

Woods Keiths, de 37 anos, vive em Kent e se formou como professor. Logo após a morte de seu pai, passou por uma crise e deixou de trabalhar. Já está há três anos desempregado. Ele nos contou:

“Quando cheguei estra manhã ao centro de desemprego, estavam falando do novo programa: as pessoas estavam furiosas. Todos perguntavam: E onde estão os trabalhos? Constantemente estou procurando trabalho. Nos últimos meses, em Kent, foram oferecidas apenas cinco vagas para professores. Para a última delas, se apresentaram 80 pessoas, e era um emprego de apenas poucos meses. As outras ofertas da semana passada eram de soldador e de construtor, que requerem uma formação que não tenho, e um outro posto de emprego parcial noturno, que tampouco posso pegar porque perderia meu auxílio habitação”.

“Sou obrigado a participar do programa Welfare to Work, o que quer dizer que tenho que me apresentar para uma empresa privada para trabalhar para ela sem remuneração. Me ofereceram uma função de fazer embalagens, 30 horas semanais, um trabalho que antes era ocupado por alguém que estava empregado. Para mim é deprimente pedir o auxílio desemprego sem encontrar trabalho e ter que viver mal com o que recebo, sem poder mover-me socialmente. O problema não é que sejamos resistentes ao trabalho, o problema é que não há trabalho”.


Os benefícios de Maximus

O novo programa “Welfare to Work” do Ministério do Trabalho e Aposentadoria é dirigido por uma empresa privada chamada Maximus. Nos nove primeiros meses de 2010, seus lucros aumentaram 19,4%, alcançando 131 milhões de libras. Seu chefe supremo, Richard A. Montoni, obteve no ano passado uma remuneração de 2 milhões de libras. Parece que na Grã Bretanha conservadora nem todos estão se sacrificando.

(*) Viv Smith escribe regularmente en www.socialistworker.co.uk

Tradução: Katarina Peixoto

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17189