terça-feira, 26 de abril de 2011

A crise no Oriente Médio e a monarquia inglesa





A crise no Oriente Médio e a monarquia inglesa


                                                      
 Afinidades múltiplas


A retórica ocidental é ambígua.

Reclama da ausência de democracia em países como o Iêmen, o Bahrein, a Tunísia, a Síria, a Líbia e outros, alegando que os mandatários locais são “ditadores”, estando há 30 ou 40 anos no poder.

É verdade que Muammar al-Khaddafi e os outros são indefensáveis. Mutilam a expressão popular e exercem com mãos de ferro o controle sobre seus nacionais, oferecendo apenas miséria e opressão com seus execráveis regimes.

Todavia, o que dizer da monarquia inglesa? Instituição arcaica, parasita sobre um povo dócil que, em grande parte, acena embasbacado quando das aparições rituais e celebrativas da corte, custeando alegremente sua obsolescência mistificadora.

Rainha e outros nobres, como o Papa, têm poder vitalício.

Qual a diferença entre eles? Seria mais adequado se perguntar: quais as semelhanças entre eles?

A monarquia, coadjuvante da tirania do mercado, recebe impostos para cumprir sua função social, qual seja, prestidigitação das massas e entretenimento “real”.

Os ditadores assumem posições e gravitam em torno de interesses das grandes potências, que os mantiveram todos esses anos e fizeram vistas grossas às atrocidades perpetradas.

Os facínoras e seus clãs, que os sustentam, planejam o trabalho sujo. Os atos indecentes emanados de suas decisões são delegados a subalternos, mercenários ou não.

É verdade que o palavrório ocidental emudece quando os casos críticos não podem ser nomeados, com, por exemplo, a ditadura na Arábia Saudita, cuja família —antes pelo rei Fahd e agora pelo seu sucessor e meio-irmão, Abdullah— é títere de interesses estrangeiros, principalmente os capitaneados pelos EUA.

Ademais, os custos do casamento dos príncipes ingleses, milhões de euros, serão bancados pela miséria de milhões de pessoas no mundo. Não há casamento grátis, não é mesmo, alteza?

Pensando bem, a longevidade de ambos dá o que pensar. Pois o parentesco é ainda mais estreito do que poderíamos imaginar.

A exploração colonial e a multiplicação de carências entre os povos nos dá a entender que os genes autoritários e opressivos transitam reciprocamente nos regimes celerados que se retroalimentam.


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