quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Muquirana



Muquirana



Encostado.
Sanguessuga.
O mão-de-vaca é um descomedido.
Explora e oprime a mulher até a última gota.
A espanca há anos.
E ela continua a servi-lo docilmente.
Esfrega, passa, cozinha, faxina, lava o quintal, o carro, engraxa os sapatos...
O aproveitador se encoraja e imagina poder sugar o esforço alheio. Sempre.
Beneficia-se do que os outros fazem, sem nada produzir.
Vegeta sobre o trabalho dos demais e crê que o mundo gira em torno de seu umbigo.
Mas todo sujeito abusado, mais cedo ou mais tarde, avança o sinal além da conta.
Derrapa e se espatifa.

Sem noção, cambaleia com imprecações contra a humanidade e fala mal do movimento da Terra.
Esbraveja e grita com sua incontinência verbal.
Todavia a festa um dia acaba.
Encontra alguém que não aceita desaforos.
Ameaça dar um faniquito.
Porém seu oponente não se intimida e o ignora.
Tenta se cobrir de honra inexistente.
Mais patético impossível.
Procura desferir um golpe traiçoeiro.
E vai direto para o chão apenas com o desvio do outro.
Insatisfeito, levanta-se e procura reiniciar sua comédia grotesca.
Sabemos, porém, que a paciência tem limite.

Entretanto, antes mesmo de o adversário esboçar ataque, a caricata figura, mais furiosa do que nunca, com os punhos cerrados e cheios de ódio, se empolga com sua empáfia e pula sobre seu novo desafeto.
Como na vez anterior, este se desvencilha do tolo bizarro, que despenca no chão e arrebenta a cara.
Quatro dentes superiores e três inferiores saltam de sua boca depois de mais uma molecagem.
A personagem bisonha fica ainda mais ridícula.

Nenhum comentário:

Postar um comentário