domingo, 31 de julho de 2011

Farol vermelho



Farol vermelho

Cuidado: olhe para os dois lados antes de atravessar!


Quando para de esfaquear, 79 golpes haviam sido desferidos.
Extenuado, joga o instrumento cortante de lado e levanta.
Tenta se retirar, mas algo o retém.
A campainha soa repetidas vezes.
Ignora.
O telefone toca.
Também não se incomoda.
A vizinha chama alguém na casa.
Deixa para lá.
O sujeito revira os bolsos em busca de cigarros.
Encontra o isqueiro e um maço vazio.
Atea fogo ao maço e à pilha de papel do canto.
Alimenta as chamas e as multiplica com um litro de álcool.
Enquanto se evade tranquilamente pela porta lateral,
Em poucos minutos as labaredas consomem a casa.
Indiferente ao ocorrido, entra num bar e come sem pausa um prato bem guarnecido.
Abaixa a cabeça quando um cliente se refere ao incêndio.
Pede dois maços de seus cigarros preferidos e retira meticulosamente um deles.
Leva-o à boca e solta longa baforada.
Ao sair do boteco, atravessa a rua sem observar o veículo que cruza o farol vermelho.
Em segundos, está estirado e estrebuchando no chão.
O motorista desrespeita a legislação de trânsito.
Atropela e mata um indivíduo que atravessa a rua pensando estar seguro em sua caminhada.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Exame


Exame



Aluno: Pô, professor! Por que o sr. me deixou por um ponto?

Professor: Por que eu deixei?

Aluno: Claro! O que custa, professor? Pra você isso não é nada!

Professor: Estude, meu caro.

Aluno: Nada a ver. Olha aqui... isso é uma injustiça!

Professor: Estude, rapaz. Sua prova é daqui a duas semanas. A matéria é a do semestre.

Aluno: Professor, para com isso. Vamos ver se a gente pode fazer um acerto.

Professor: Acerto?

Aluno: É. Ninguém precisa ficar sabendo.

Professor: Não?

Aluno: Não! R$ 50 paus, resolve?

Professor: Hem?

Aluno: Tá bom, R$ 100 paus. Ninguém vai saber.

Professor: Mas você já contou para quem nunca deveria saber dessa conversa.

Aluno: Que é isso, professor? Só o sr. tá sabendo.

Professor: Pois é, eu nunca deveria saber dessa conversa.

Aluno: Qual é, professor? Um dinheirinho sempre é bão.

Professor: Isso é suborno!

Aluno: Prô, pra que essa dureza em seu coração? O que o sr. ganha com isso? Só aborrecimentos... Além do mais, suborno é uma palavra pesada.

Professor: Estude, garoto.

Aluno: Mas isso é uma injustiça.

Professor: Por que você não faz como a Sílvia?

Aluno: O que tem a Sílvia a ver? Ela só tira dez.

Professor: Exatamente.

Aluno: Não tô entendendo.

Professor: Estude, obtenha sua nota e pare de interromper o meu trabalho fora de hora.

Aluno: Eu não acredito. A Sílvia é a maior CDF.

Professor: Ao contrário. CDF é você!

Aluno: Por quê?

Professor: Porque você vai ficar mais duas semanas sentado na cadeira da escola. A Sílvia e os demais estão de férias há uma semana.

Aluno: Nada a ver. Cê tá de brincadeira comigo, não tá? É só um pontinho e o mundo não vai mudar de lugar por causa disso.

Professor: É verdade.

Aluno: Além do mais, eu não vou precisar de sua matéria pra nada. Pra que ela serve?

Professor: Nós tratamos disso o semestre todo. Venha às aulas preparatórias para o exame.

Aluno: Não. Não serve para nada! Nunca vai servir!

Professor: Quando você amadurecer vai saber a importância... Agora você precisa. Estude!

Aluno: Não tem jeito não, professor?

Professor: Até mais, rapaz.

Aluno: Caramba, Prô! Eu já tô em mais seis matérias.


Roberto, o aluno, acorda de seu sonho. Suado, procura se recompor. Seu ensaio onírico de obter a concessão de um ponto e deixar de ir para exame naquela disciplina não acabou como pretendia.


Aluno: Tem nada não. Vamos tentar... Quem sabe se eu falar que...


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Teclado



Teclado

Prefeito e governador querem do teclado apenas bajulação


Digita as últimas palavras de seu texto a ser publicado na manhã seguinte.

Toca o telefone.

Silêncio.

Do outro lado, sujeito vocifera repreendendo o autor.

­---Suprima tais e tais partes---, ordena o chefe.

O articulista examina o efeito que a dilaceração provocaria. Destituído de sentido, seu trabalho agradaria as autoridades, mas lhe deixa desalentado.

Que fazer?

Relê o artigo original... E nada muda.

---Que todos saibam das falcatruas dos manda-chuvas.

Revisa pela última vez e envia o arquivo para um blogueiro sujo. Este não impedirá a divulgação do que incomoda tanto o prefeito como o governador.

---R$ 2 bilhões é um desvio amazônico.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Aniversário de 1 ano do Blog do Agenor Bevilacqua Sobrinho



Aniversário de 1 ano do Blog do Agenor Bevilacqua Sobrinho



Fique à vontade.
Este pedaço é seu.



Car@s amig@s, 

Há um ano este espaço independente começou uma batalha.

Entendemos que o monopólio da informação deve ser incansavelmente combatido para que tenhamos uma sociedade democrática.

De julho de 2010 para cá, vimos todo tipo de golpes e vilezas orquestrados pelo PIG e seus proprietários.

Lutas foram ganhas e outras perdidas.

Em outros momentos empacamos.

Mas também vimos a sociedade dizer não a muitas das imposturas propostas pelas classes dominantes.

As classes populares passaram a ocupar espaços nas universidades e em aviões, antes destinados apenas às classes médias e altas.

Porém, ainda há muito a conquistar

Gostaríamos de saber a sua opinião a respeito de nosso trabalho.

Por favor, deixe suas impressões, críticas, sugestões e o que mais quiser.

Você pode se utilizar do espaço reservado aos comentários ou então enviar um email para:

ciafagulha@yahoo.com.br


Grato por sua visita e forte abraço!

Agenor Bevilacqua Sobrinho



domingo, 24 de julho de 2011

Mito da caverna



Mito da caverna




Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos são enviados ali pelo PIG.

As pessoas ficam de costas para a entrada, acorrentadas nas grades de vídeos, de jornais e de revistas que contam sempre a mesma ladainha. São adestradas a visitar templos sagrados de consumo impostos pelo PIG, não movendo a cabeça para lugar distinto do ordenado pelas oligarquias piguianas. Não tendo consciência de si e dos demais, asseveram existir apenas a ficção elaborada por grandes corporações que os mantêm presos a uma mentalidade mesquinha e predatória, caracterizada por o homem ser o lobo do homem e o trabalho ser objeto de intensa exploração e destituído de sentido para os produtores que, alienados, não se reconhecem enquanto autores do que elaboraram. Portanto, a riqueza é apropriada pelos proprietários dos meios de produção, os quais encomendam lenitivos e outros narcóticos para manter os encarcerados entorpecidos por um entretenimento imbecilizante.

Do lado de fora, há diversas frentes procurando romper o cerco midiático a que estão sujeitos os sequestrados da realidade pelo PIG. Este utiliza servomecanismos múltiplos para conservar a catatonia dos habitantes da caverna.

Os prisioneiros julgam que o discurso piguiano e seus simulacros são a própria realidade, de maneira que os adversários do sistema da caverna são denominados de terroristas, esquerdistas, comunistas, blogueiros sujos etc.

Os alienados imaginam que as vozes dos vídeos, das revistas e dos jornais são suas próprias falas, de tal forma que atribuem a si mesmos as ideias diuturnamente impostas pelos canais de distorção da realidade monopolizados pelo PIG.

Em função do hábito, tomam a ficção piguiana por realidade. Essa confusão, porém, não é causada pela natureza dos prisioneiros e sim pelas condições adversas em que se encontram.

A batalha dos inimigos da mídia totalitária é resgatar os que ainda não têm condições de se desvencilhar das amarras e condicionamentos mentais dos aprisionados.

Antigos cativos fazem parte das brigadas antiPIG. Eles estavam inconformados com a condição miserável em que se achavam e decidiram abandoná-la. Fabricaram instrumentos para quebrar seus grilhões. Inicialmente, tiveram inúmeras dificuldades, mas enfrentaram os obstáculos de um caminho íngreme e difícil, e saíram da caverna.

Comparando o que viam/ouviam/liam nas sessões piguianas de lavagem cerebral e a extrema diferença descoberta no exterior daquele mundinho medíocre, sentiram-se divididos entre a incredulidade e o deslumbramento. Agora, precisariam decidir onde se localiza a realidade: no que observam atualmente ou nas sombras piguianas em que sempre viveram. Deslumbramento (ferido pela luz) porque seus olhos não conseguem ver com nitidez as coisas sob outro prisma. Confusos, o primeiro impulso deles é retornar à caverna, atraídos pela alienação, que lhes parece mais acolhedora. Aprendem a ver e esse aprendizado é doloroso, pois se dão conta da necessidade de deixar de lado ideias e costumes familiares e conhecidos.

Entretanto, em virtude dos percalços e riscos que assumiram, os ex-prisioneiros permanecem no exterior e começam a investigar o mundo a partir de outras perspectivas. Aos poucos, habituam-se ao antes desconhecido e passam a ser felizes por ver as coisas como realmente são, ou seja, completamente distintas dos enredos piguianos.

Estimulados, não querem jamais voltar à condição anterior e lutarão com todas as suas forças para nunca regressarem a ela.

Todavia, não podem evitar lastimar a condição dos que continuam cativos e, por fim, tomam a difícil decisão de regressar ao subterrâneo sombrio para contar aos restantes o que viram e convencê-los a se libertarem também.

Que acontece nesse retorno? Os prisioneiros zombam deles, não acreditando em suas palavras e, se não conseguem silenciá-los com suas caçoadas, tentam fazê-lo internando-os nas antigas poltronas nas quais serão obrigados a voltar a assistir a programação piguiana exaustivamente para deixarem de ser chamados de terroristas, sujos e subversivos.

Apesar do uso saturado da censura e controle, os brigadistas, infensos ao palavrório de maré baixa, continuam a emitir suas visões que destoam do estabelecido pelos agentes piguianos. Alguns ouvem, e contra a vontade dos demais, também decidem sair da caverna rumo à realidade. Conhecem outras pessoas, visitam blogs sujos, leem filósofos, sociólogos etc. e passam a engrossar as fileiras da contestação às redes piguianas.

Atualmente, os mecanismos de domínio piguianos se encontram sob ataques constantes, erodindo as fortificações antes tidas como inexpugnáveis.



The Cave: An Adaptation of Plato's Allegory in Clay.


Animação com argila representa a Alegoria da Caverna de Platão, contida em A República, no Livro VII.

A animação “Plato’s Allegory of the Cave” (A Alegoria da Caverna de Platão) tem a direção de Michael Ramsey, bonecos de argila criados pelo artista Jon Grigsby e mais de 4.000 fotos iluminadas por luz de vela.





Lançamento do livro A Guerra de Yuan, de Agenor Bevilacqua Sobrinho

http://agenorbevilacquasobrinho.blogspot.com/2015/01/lancamento-do-livro-guerra-de-yuan-de.html





Agenor Bevilacqua Sobrinho lança livro “A Guerra de Yuan”




A Guerra de Yuan narra a história de um intrigante personagem do futuro e de um sombrio mundo de autômatos fortemente moldados e cerceados pelos meios de comunicação, cuja função massificadora é claramente ligada à concentração de um poder central nas mãos da Yuan-Mind,  empresa que controla as engrenagens do mecanismo totalizante e esmagador de Yuan. 

  

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Entrevista exclusiva com Dr. Toicinho, CEO do PIG desde 1939





Entrevista exclusiva com Dr. Toicinho, CEO do PIG desde 1939



O PIG por ele mesmo 


Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Sobre Getúlio Vargas e João Goulart:

O Getúlio se matou? E daí? Estava atrapalhando nossos planos. Mar de corrupção jamais visto. Também com ideias idiotas de defender os trabalhadores... Olha aqui, quem está no poder tem que atender os poderosos! Essa historinha de classes populares é blábláblá. Populares são para trabalhar e ser ordeiros... Está faltando é civismo. Por que o povo não vai para as ruas protestar contra a corrupção?

O Ministro do Trabalho do Getúlio, esse tal de Jango, a gente sabia que ia dar muito trabalho para a classe produtiva... Melhores salários? É o fim do mundo... Onde já se viu uma coisa dessas? Trabalhador é para trabalhar, rico é para enricar... Essa conversa mole de distribuição de renda é coisa de vermelhos, a distorção da lei da gravidade. O dinheiro corre para o mar: o bolso do rico. O dinheiro do pobre é para pagar a condução em nossos ônibus, a alimentação em nossos restaurantes e os produtos nos nossos supermercados. E, o mais importante, o despertador para acordar na hora certa e não chegar atrasado ao trabalho, como é característico de gentinha vagabunda.  Quaisquer outras coisas devem ser deliberadas por nós.

Quando esse Jango assumiu a presidência, apesar de nossos esforços para impedi-lo, resolveu fazer populismo, demagogia. Reformas de base... Que base ele tem para reformar o quê? Nem consultou a gente. Temos know-how e poderíamos fazer avanços.


Sobre ditadura militar e tortura:

Mas Jango preferiu seguir Moscou. Fomos obrigados a depô-lo. Assumimos compromissos com as Forças Armadas, com Washington e demais parceiros. Não podíamos assistir de mãos atadas ao esfacelamento da democracia e entregar de mãos beijadas aos comunas todo o potencial do Brasil e o que ele iria nos proporcionar...

Pensa que a gente é trouxa? Antes de a patuleia assumir o poder, que não é o lugar dela, diga-se de passagem, nós fizemos a Revolução. A Redentora que salvou o Brasil do comunismo ateu e encheu nossos cofres de tal forma que não tínhamos mais como calcular tantas bonanças, vindas das graças de Deus e, é claro, de a gente mexer nossos pauzinhos, porque oração sem ação não leva a nada. E Deus só dá em dobro para quem alcança o quíntuplo por conta própria. Essa história de só rezar é para os pobres... E é na pobreza que eles devem permanecer para não serem desnaturados. Deus organizou as coisas de maneira perfeita. Cada macaco no seu galho. Esse é um provérbio genial criado em nosso Conselho de Administração... Rico na riqueza e pobre na pobreza... Essa é a lei da natureza e do Senhor... Caso venhamos a querer alterar a realidade, o mundo sairá de órbita... Cruz-credo, Ave-Maria!

Tortura? Você deve estar brincando! Como disse nosso correligionário Lobão, os comunas não iam às manicures... Precisamos arrancar umas unhas encravadas, que atrapalhavam os vermelhinhos. E nem agradeceram... Ficam reclamando e só pensam em revanchismo... Esse mundo está mudado mesmo. E para pior! A gente faz um favor a esse pessoal desclassificado, tira foto no DEOPS sem cobrar, dá umas sacudidelas no esqueleto do elemento, testa alguns aparatos elétricos em suas regiões, observa os limites de dor que pode suportar, dá um sumiço no cara... E o que recebemos em troca? Comissão de Direitos Humanos pra cá, protestos de lá. Olha nosso exemplo histórico, a Santa Inquisição. Queimava os comunas da época para purificar a alma deles. Nós fizemos o mesmo. A diferença é que aperfeiçoamos os nossos aparelhos. Vamos lembrar que não podemos virar as costas para os avanços da ciência.

Exportamos tecnologias de tortura? Meu filho, business, business... Não podemos negar a nossos aliados nosso know-how. Eles pagaram... Se o dinheiro é de Washington ou da Inglaterra, qual é a diferença, meu filho? Dinheiro, money, argent, dinero... Nossas contas bancárias detestam discriminações.

Anote aí: Está faltando é civismo. Por que o povo não vai para as ruas protestar contra a corrupção?


Sobre o acesso de pobres à classe média, aos aeroportos e às universidades:

É a subversão o que está acontecendo! Pobre em aeroportos somente para esfregar o chão e os sapatos de gente de bem, a que tem bens, entendeu? E olhe lá! No primeiro caso, é melhor fazer a limpeza de madrugada, para não macular nossas vistas com a cara do pobre e seu cheiro desgraçado. No segundo, a gente usa um jornal para evitar paisagens desagradáveis.

Essas filas intermináveis, pobres por toda parte... É a decadência moral do país. Os macacos saindo de seus galhos, indo para lugares não permitidos, causando turbulências na sociedade, deixando os ânimos crispados, incitando as classes produtoras a baterem as portas dos quartéis, a negociar com os banqueiros um paradeiro à ignomínia. Como diz nosso correligionário Jabor, a crise é interminável e escândalos se sucedem... Pobres só devem entrar nos aviões para executar a faxina...

E nas universidades, então? Tudo está de pernas para o ar. Ao invés de estarem limpando os corredores, os pobres estão nos bancos escolares. Essa mistura é sinônima de degeneração da moral e dos bons costumes. É a degradação! Mengele já nos advertira a respeito... Esse mundo está sem norte. Vamos escrever um editorial firme e esclarecedor a respeito de nossas posições para zelar pela retidão do universo.

Não sei se eu já disse... Está faltando é civismo. Por que o povo não vai para as ruas protestar contra a corrupção?

Uma coisa eu posso te garantir, meu filho. Anote aí: No governo do Estado de São Paulo não existe corrupção. Não devia, mas vou lhe dar a fonte dessa informação: Os diretórios municipal, estadual e nacional do PSDB.



Nota deste Blog

Em tempo: Para acessar as demais ideias do PIG, basta ler (se tiver paciência) o que escrevem seus diligentes prepostos nos jornais e revistas piguianos.



Quero colaborar com o Blog do Agenor Bevilacqua Sobrinho

 

MST responde ao Globo - MST 10 x 0 Globo


MST responde ao Globo




MST 10 x 0 Globo


Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?
19 de julho de 2011

Da Página do MST

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. A reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.
Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST, Marina dos Santos, que não saíram em O Globo.


Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos - tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato - também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay...e por que não contra a corrupção? 

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes - como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul - mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma devolução do dinheiro roubado...

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(...) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF - que acabam naturalizando a impunidade junto a população.