sexta-feira, 16 de março de 2012

Folha da Oligarquia - Um jornal a serviço do capital III


Ultrajante é não investigar os crimes da ditadura!  


EXCLUSIVO: 


O discurso que o Dr. Toicinho faria nesta sexta-feira — a portas fechadas, para seus pares e algumas figurinhas de pijamas — foi parar, por engano de envio de email, nas rotativas da Folha da Oligarquia.

O executivo da PubliPIG e Diários Associados ordenou imediatamente a
destruição de todos os exemplares e a impressão dos arquivos “certos”.

Entretanto, um funcionário da gráfica repassou a este blogueiro sujo
um exemplar que jamais será publicado no mencionado periódico piguiano.

A seguir, a capa tripla (estariam arrancando as próprias tripas?)
da trapalhada da famiglia Toicinho.



Folha da Oligarquia - Um jornal a serviço do capital III

Há 512 anos defendo os interesses de quem interessa

EDITORIAL

Contrariando a moral e os bons costumes — e numa atitude provocativa, hostil e revanchista—, subversivos propugnam desrespeitar as leis instituídas e investigar imaginárias violações aos direitos humanos durante o regime da Redentora Ditabranda.

Nunca é demais salientar que a caserna, sensível a nossos interesses, evitou a instalação do comunismo ateu em 1964.

Os aborteiros planejavam abolir o nascimento de bebês no Brasil. Os inocentes seriam impedidos de conhecer a luz do dia se não desviássemos do pior e acabássemos com aquela raça inferior.

Reclamam de nossos métodos. Mas o que é um pau-de-arara conjugado com choques elétricos e outros requintes de crueldades aplicados aos empunhadores da foice e do martelo? Quais os problemas de nossas técnicas de afogamento e de estupros sucessivos? Por que não levar ao paroxismo da dor essa gente sem Cristo? Afinal, o sofrimento faz muito bem para eles. Recordemos: não têm alma e não fizeram o catecismo! Anauê!

Arrancar unhas, dedos e braços, cortar as pernas ou tirar a cabeça para extirpar ideias ruins: isso é seguir a profecia profilática. Obedece quem tem juízo, pois quem manda é a Casa Grande.

Desaparecidos, sequestrados, mortos? Ninguém entra numa guerra com seguro de vida. Os comunas se atreveram a contestar a civilização defendida pelas grandes corporações, logo se depreende que sabiam dos desdobramentos decorrentes de escolhas petulantes contra a humanidade.

Que importa o número de cadáveres? Jamais entregaremos a localização dos corpos. Isso está fora de cogitação. O alarmismo resolveu dizer que revelar a verdade é vital. Mas quem diz o que é certo, o que pode ou não somos nós. Jamais a Senzala! Existe a nossa verdade. Apenas ela é digna e suprema. Anauê!

Essa suposta “Comissão da Verdade” cria inquietação por tentar artificialmente produzir animosidade da população contra os generais patriotas que mandaram para os quintos dos infernos aqueles que mereciam ir para lá. E, obviamente, contra nós que disponibilizamos recursos, propagandas e carros de entrega de jornais para os torturadores executarem seu trabalho abnegado e santificado.

É pela tradição, a família e a propriedade que afirmamos nossa intolerância sobre quaisquer averiguações que venham expor nossos crimes, quer dizer, nossas boas ações para extinguir o mal pela raiz com torturas e outros delitos, ou melhor, o tratamento adequado para quem diverge de nossas sagradas ideias e ações. Anauê!

Sabemos que quem rouba cem, rouba mil. E os nossos cofres estão abarrotados por causa disso. Da mesma forma, quem mata mil, mata milhões se preciso for para manter a paz do capital. Sem pestanejar, pois indecisão de tomar medidas amargas é própria dos frouxos. Somos corajosos quando nossas vítimas estão algemadas, exangues e sofrendo sevícias de toda ordem.

Mas a covardia, convenhamos, toma conta de nós quando precisamos dar conta de nossos atos em quaisquer instâncias fora de nossos feudos. E a Justiça, que secularmente esteve à disposição da oligarquia, não pode ensaiar ou expressar a mínima independência de nossos interesses, e, menos ainda, se comover com queixas e choros descabidos de familiares dessa gentinha diferenciada. Anauê!

Ademais, esta Folha Oligárquica, numa atitude de conciliação, defende o ocultamento e o esquecimento do passado. Nada de escarafunchar a realidade, porque quem procura acha. Isso vai exibir nossas chagas, sendo absolutamente inconveniente, desnecessário e impensável.

De que serviriam nossas propagandas laudatórias para criar imagens honradas e sérias de nós e de nossos cúmplices (quer dizer, parceiros)?

Bola pra frente! O passado já passou e ficar revirando esse vespeiro vai deixar-nos numa situação vexatória e embaraçosa, pois as nossas práticas são inomináveis e não podemos permitir que elas viessem a ser conhecidas pelos nossos leitores incautos, os nossos “homer simpsons”. Mesmo eles se dariam conta. E preveniremos isso a todo custo.

Torturar, esfolar, trucidar, esquartejar, sequestrar etc. são palavras que descrevem com exatidão o repertório de nossos procedimentos. Mas são palavras de mau gosto, não condizentes com as famílias de fino trato a que pertencemos. Melhor não pronunciá-las, principalmente se for em público e indicando nossas práticas rotineiras.

Cuidado, senhores: como meu neto poderá dizer “avô” com a candidez dele, se souber o que fizemos?

Ao contrário das vozes maledicentes, somos partidários da democracia e da legalidade, desde que entendidas como a aceitação submissa e exclusiva de nossos interesses, vontades e anseios. Anauê!

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