quinta-feira, 5 de abril de 2012

Os interesses envolvidos na questão de sacolas plásticas


Os interesses envolvidos na questão de sacolas plásticas

Ecologia, oportunismo e outras mistificações
Cotidianamente vamos ao supermercado e adquirimos uma série de produtos. Em geral, suas embalagens são de plástico e de papel.


A partir de 04/04/2012, no Estado de São Paulo, vigora a proibição de distribuição gratuita de sacolas plásticas para acondicionar as compras.


Os problemas ambientais causados pelos referidos invólucros está no centro da questão. Há excessivo consumo e uma das formas de se punir é penalizando o bolso, “órgão” muito sensível do ser humano.


De fato, o material das bolsas é antiecológico, causando degradação, doenças, enchentes etc.


Mas será que devemos jogar a criança fora com a água do banho?


As estimativas da APAS (Associação Paulista de Supermercados) é que a medida reduzirá em 7 bilhões o número de sacolas plásticas descartadas no Estado, dando aos proprietários de supermercados uma economia de R$ 17,5 milhões mensais. Este montante pode estar subavaliado? Há fontes que afirmam que a cifra pode chegar a R$ 500 milhões anuais.


Por acaso, o cidadão observará redução proporcional nos preços dos produtos?


Além disso, vimos florescer de forma exponencial a venda de sacolas reutilizáveis, cujo uso deve ser pelo menos mais de 4 vezes maior do que as sacolas tradicionais de plástico; enquanto as de tecido, também para compensar os prejuízos/qualidades decorrentes de ser mais pesadas e resistentes, precisariam de 131 utilizações para compensar o impacto ambiental. Sem levar em consideração que tais sacolas são potencialmente terreno fértil para a proliferação de bactérias de origem alimentar, exigindo consumo adicional de água para higienizá-las.


Todavia, a estratégia de marketing de convencimento das entidades do setor é direcionada para a “modernidade”, a preocupação dos “consumidores” com o planeta. “Não podemos assassinar o mundo em que vivemos.” A comoção invade o coração do mais empertigado dos insensíveis.


Porém, os logotipos aparecem em destaque. Somos “contratados” gratuitamente para divulgar a marca da loja na qual compramos os produtos do dia-a-dia.


Os empresários do setor alegam que a preocupação deles é ambiental. Bovinamente, a população parece aceitar tal justificativa: “É isso mesmo. Temos que defender o meio ambiente!”, aquiescemos.


Entretanto, cabe a pergunta. Por que os capitalistas, subitamente preocupados com a questão ecológica, mas “fornecedores” dessas algibeiras, não são obrigados a oferecer sacolas biodegradáveis?


Quantos de nós utilizamos as sacolas plásticas para acondicionar lixo? Ou seja, a sacola é reutilizável, sim. Todavia, o material delas é inadequado. Concordamos com a assertiva.


Todavia, não será melhor preservar a criança e jogar apenas a água suja do banho?


 Contudo, agora os donos de mercados catapultarão ainda mais as vendas das embalagens “realmente” apropriadas e de uso consciente.


Alíquotas diversas são propostas a nós para resolver o problema, de acordo com “sumidades”, “especialistas” a soldo de não se sabe quem.


Há sacolas compostáveis: recicladas apenas por indústrias especializadas. E as biodegradáveis: se deterioram no meio ambiente, de maneiras distintas: “As feitas a partir de milho são mais bem decompostas em aterros sanitários, porém produzem gás metano (causador de efeito estufa) durante sua decomposição. As de tipo oxo-biodegradável se deterioram em contato com o ar e com a água, mas não em aterros sanitários.”

Nós, mortais, continuaremos a produzir lixo. As pessoas continuarão a embalar seus rejeitos para se livrarem deles.


Os governos do Estado de São Paulo e de seus municípios têm medidas de fato eficazes para a destinação das milhares de toneladas diárias produzidas no Estado?


Instalarão contêineres de lixo (contentores utilizados na gestão de resíduos sólidos e recicláveis) em todas as esquinas das cidades? Cobrarão das empresas de lixo pela riqueza que recebem, ao invés de pagá-las?


Além das taxas para o recolhimento pelas empresas concessionárias nas cidades, pagaremos de novo e mais caro (pois o preço da sacolinha estava embutido nos preços de outros produtos).


As empresas terão seus lucros aumentados.


O ônus será transferido, mais uma vez, para os cidadãos.


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