sexta-feira, 25 de maio de 2012

Novilíngua Piguiana - As boas companhias são S/A



Novilíngua Piguiana
As boas companhias são S/A

Catecismo piguiano e seus adeptos

O PIG tem seus adoradores nas mais diversas profissões e atividades: no Senado, na Câmara de deputados, na procuradoria geral da república, entre economistas, sociólogos, geógrafos etc.

Jornalistas piguianos servem-se de todos os asseclas e fazem intercâmbio de papeis entre si.

Férteis em seus malabarismos verbais, os devotos das oligarquias recriam constantemente a Novilíngua Piguiana. Observemos alguns exemplos do repertório:


Ética jornalística: É relativa: mostra o que interessa, oculta o que prejudica e inventa o que for necessário.

Fonte: Aquilo que interessa ao PIG. Pode (precisa) ser bandido; deve alvejar apenas o inimigo. Beber o que a fonte oferece não tem problema, desde que preserve a famiglia piguiana.

Fonte para infraestrutura: Maneira pela qual são transferidos recursos para a ditadura militar funcionar e outras engenharias de poder submissas aos endinheirados. As pessoas da repressão precisam carona para levar militantes contrários ao regime; não podem ir à pé. Os jornais, as redes de televisão e de  rádio devem fornecer seus veículos para esse transporte edificante às salas de tortura. Bem como recolher entre os beneficiários as centenas de milhões para custear a repressão. Afinal, a encomenda de crime organizado (estatal e comum) não é obtida de graça, mas graças às carteiras sábias dos sócios.

Fonte para sobrevivência: Assinaturas compradas pelo governo do estado de São Paulo são corretas ao adquirir centenas de milhares de exemplares de refugo editorial piguiano. Porém, isso não se confunde com financiamento, mas atendimento ao “interesse público”, ou seja, o piguiano.

Interesse público: É o que interessa ao dono da publicação.

Liberdade: De informar a versão piguiana; as outras não existem, e se aparecerem devem ser caladas e censuradas, a bem da moral, dos bons costumes e do Cansei.

Liberdade de imprensa: É a liberdade de imprimir.

Notícias verdadeiras: São aquelas que zelam em favor das facções criminosas, piguianas ou não.


Como vimos, o repertório é vasto. Amplia-se de acordo com as circunstâncias.

Publicações que exigiram o golpe de 1964 aparecem agora dizendo que aquilo foi uma aberração, omitindo sempre sua parcela no DNA do monstro concebido nas salas de reuniões do PIG e das companhias S/A.

Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime não surgiu do nada, mas do financiamento diligente e constante das redes piguianas e empresariais dos mais diversos setores.

A trama das boas companhias S/A revela a tentativa constante da direita sem voto de constituir um governo paralelo, que ninguém elegeu, mas que insiste em apresentar-se como porta-voz do interesse nacional.

Sabemos, ademais que a pronúncia do termo “nacional” pelos adeptos do catecismo piguiano precisa ser entendido no verdadeiro sentido: “capital”. Entretanto, é notório — para quem não foi contaminado pela Novilíngua Piguiana — que o capital não tem pátria nem moral.

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