domingo, 31 de março de 2013

Pitacos de Páscoa


Pitacos de Páscoa




Sobre rola-bostas

1) Rola-bostas estão dispostos às ações e discursos mais abjetos para serem reconhecidos como bons lacaios do PIG.
Mas isso é uma tautologia.

2) Rola-bostas de rádio e televisão fazem terrorismo político.
Governo banca a ópera.
Acorda, Dilma!
#LeiDeMeios

3) Rola-bostas com pós-doc em entreguismo e desastres econômicos recomendam juros altos e desemprego.
#PSDB #Oligarquias

4) Rola-bostas recomendam juros altos, desemprego, tarifa de energia maior, fim da isenção da Cesta básica e candidatos demotucanos e adesistas.

5) Malafaia, Marco Feliciano, Reinaldo Azevedo e toda corte de rola-bostas na ABL-Academia Brasileira de Letras.
#Rola-bostas imortais com #FHC

6) Entre outros méritos, o método Paulo Freire propõe superações; portanto, em nada se aproxima do Tropicalismo, cujo conformismo visceral é expresso sob a forma de intransigência oca.

7) Nelson Rodrigues tinha em comum com as forças repressivas os mesmos adversários.


Sobre oligopólios

1) Esculacho dos oligopólios que se apropriam das isenções de impostos das Cestas básicas e das reduções de tarifas de energia elétrica e ainda por cima aumentam preços dos produtos.


Sobre Rede Globo

1) Analfabetismo político patrocinado pela Globo não se dá bem com o processo de esclarecimento dos trabalhadores, os quais abandonam paulatinamente os partidos de dominação do capital apoiados por aquela.

2) TV Globo manipula descaradamente.
E para isso recebe verba governamental.
Força, Azenha! Acorda, PT! Acorda, Dilma!
#LeiDeMeios


Sobre tucanos

1) Verônica Serra, filha de José Serra, e o bilionário Lemann devem explicar fôlego financeiro da filha do tucano na sociedade.

2) Esgotadas as inscrições para o workshop "Como ficar rico instantaneamente". Produção e organização: #IceTucano45

3) Ice Tucano 45. O sorvete de R$ 100 milhões!
Riqueza instantânea!

4) Lei de Meios derreteria imediatamente o sorvete de R$ 100 milhões.


Sobre tucanos e sua reconhecida eficiência

1) Metrô de São Paulo está atrasado 26 anos em relação às metas de 1987 (quando deveria atingir 75 estações. Hoje tem 67).
#PrivatariaTucana


Sobre tucanos e adesistas

1) Serra & Campos: TFP faz festa; Roberto Jefferson, adora; Bob Freire, comemora; Merval, extasiado...
Em suma, direita casa com Dudu-PE. #PIG

2) Eduardo Campos e Serra têm muito em comum. Ambos são candidatos preferidos da direita. #PrivatariaTucana? Já leu, Dudu? Está de acordo? #PIG

3) Eduardo Campos divide ideias com Serra. Sobre a #PrivatariaTucana, por exemplo, ele fica com a Privataria, com a Tucana ou com as duas? #PIG

4) Chapa Serra & Campos adubados da direita só engana o "João, otário de plantão." #LeiDeMeios

5) Eduardo Campos tira máscara e elogia seu ídolo, José Serra. Sobre a #PrivatariaTucana, que desviou centenas de bilhões, silêncio total. #PIG

6) Derrotox 45® e Derrotox 40®. As receitas das oligarquias para enganar o povo.


Sobre tucanos na Academia Brasileira de Letras

1) FHC vai para a Academia Brasileira de Letras para ensinar o ABC do entreguismo.

2) FHC vai para a Academia Brasileira de Letras. Aproveita e leva o Pastor Malafaia.
PIG de Fardão #NinguémMerece #PSDB

3) FHC na Academia Brasileira de Letras continuará seu imortal ostracismo. Encontrará gente da estatura intelectual de Merval Pereira. #Justo

4) FHC chega ao ponto culminante de sua carreira. Senta ao lado de Merval Pereira. #ReferênciaIntelectual

5) FHC pelo menos devia levar o Pastor Feliciano para a ABL. Lá todos falam platitudes, mas são inofensivos.

6) FHC consegue uma "queda para o alto", pois o que tanto ele almejava já não vale nada. ABL é motivo de chacota. #ImortalidadeSemEfeito

7) Por curiosidade: FHC levará #PrivatariaTucana autografado pela sua equipe para a ABL? #Currículo #PSDB

8) Machado de Assis, mais uma vez, pede desfiliação póstuma da ABL. Sarney, Merval, FHC... Daqui a pouco é o pastor Malafaia!


Sobre tucanos e o Derrotox45®

1) Economistas do PSDB receitam desemprego para conter inflação. E não sabem porque perdem eleições... #PSDB #Derrotox45



Sobre tucanos na Venezuela

1) Capriles diz que não 'entregará' Venezuela. Já reconheceu a derrota.
#RevoluçãoBolivariana #NicolasMaduro


Conclusão:

Apesar de tudo (e por isso mesmo) tucanos têm proteção e impunidade totais garantidas no PIG.


Sobre escravidão e direitos trabalhistas

1) Madames/Cavalheios furiosas(os) com a nova lei das trabalhadoras domésticas. Daqui a alguns anos essa profissão tende a desaparecer no Brasil. #Liberdade

2) Estados Unidos são modelo para madames/cavalheiros, exceto quando se trata de legislação para as trabalhadoras domésticas. Chega de senzala! #Liberdade

3) Madame/Cavalheiro que não quiser pagar os direitos das trabalhadoras domésticas, não tem problema. É só pegar o balde e o esfregão e começar o serviço.

4) Solução para madames/cavalheiros contrários aos direitos alheios. "Vai pra pia, Madame/Cavalheiro! Depois limpa o chão, lava a roupa, passa roupa, lava o quintal etc... E deixa tudo PERFEITO!

5) Arrumar a própria cama, roupa, comida, louça, limpeza da casa etc. é obrigação de seus moradores. Chega de senzala e luta de classes em casa.

6)Há trabalhos dignos e indignos. A propósito, o torturador do Dops era um funcionário pago pelo Estado para torturar... Não existe trabalho indigno?

7) O trabalho doméstico é duro e desvalorizado. O problema é a falta de dignidade no trabalho.

8) Quanto seria um salário justo e digno? Talvez uns R$ 2.500,00. Corolário: Assim, vamos cortar mais de 95% dos que têm empregada hoje (sem condições de arcar) e pagam uma miséria (indignidade).

9) Nos EUA e Europa é coisa para rico. Ainda mais que não é uma escolha livre. A sociedade deve criar opções para todas as pessoas.

10) Chega de senzala e de luta de classes em casa!



Leia também:
  


Derrotox 45® e Derrotox 40®. As receitas das oligarquias para enganar o povo.

Dr. Toicinho defende enfaticamente entrada do Pastor Malafaia na Academia Brasileira de Letras.

PIG de Fardão
#NinguémMerece

Ice Tucano 45. O sorvete de R$ 100 milhões

Salmo da Rede Globo: do golpe de 1964 até sempre. O golpe é o meu guia, nada me faltará

Golpe de 1964 - O apoio da Rede Globo, da Folha de São Paulo, do Estadão (PIG)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Amizade


Amizade


Amigos / Amigas:
indispensáveis

Quando a noite caiu, Paulo perguntou se ao menos não existiria uma pessoa que pudesse ajudá-lo.

Sofrera bastante durante o dia.

Pela manhã, seu chefe ridicularizara suas habilidades.

Então, pensou em xingar o petulante. “Como alguém pode ser tão estúpido?”, indagou-se sobre a figura presunçosa.

Infelizmente, precisava comprar pão, arroz e carne para as crianças. Silenciou, engolindo em seco sua raiva. Socou a porta, que nada lhe fizera.

Feriu a mão, mas queria bater no patrão arrogante.

Murmurou algumas coisas inaudíveis e saiu apressado.

Na rua, um ladrão bateu sua carteira.

Ligou para a esposa, mas lembrou-se de que havia se separado de forma litigiosa há apenas um mês. Ela não atendeu. E ele achou melhor.

Sem dinheiro, caminhou na tarde gelada os nove quilômetros de volta para casa. Desprevenido, sem agasalho.

Ao anoitecer, sentou-se no banco da praça próximo de sua casa.

E rememorou tudo o que lhe acontecera durante o dia.

Desconsolado, praguejou a vida..

“Paulo, é você?”, perguntou uma voz familiar.

Paulo virou-se e abraçou fortemente seu amigo, Antônio.

Antônio é um amigo de todas as horas. E no momento exato, quando mais é indispensável, surge. Como se adivinhasse a necessidade do amigo.

Paulo sorriu abertamente, pois conhece um amigo que sempre aparece, independentemente de ser solicitado.


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Velhice e a ironia da vida

Do que você se lembra?

A vida moderna

Desrespeito

O Tempo

domingo, 24 de março de 2013

Derrotox 45® e Derrotox 40®. As receitas das oligarquias para enganar o povo.



Derrotox 45® e Derrotox 40®.
As receitas das oligarquias para enganar o povo.


Eduardo Campos e José Serra
começam a mostrar o que têm em comum



Comunicado dos Laboratórios Loser® à população:

Derrotox 45® você já conhece.

Lançamento para a próxima temporada: Derrotox 40®.

Nova embalagem. Nova apresentação.

Mas não se engane!

O conteúdo é o mesmo!

A fórmula é a mesma!

Nossos seguidores não precisam se preocupar, pois as duas embalagens estarão disponíveis pelo PIG.


ANVISA adverte: Derrotox 45® e Derrotox 40® são dois nomes para o mesmo produto. Recomendado apenas a demotucanos e para aqueles que tiram a máscara e mostram o que há em comum entre eles. Cuidado! É altamente tóxico!



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Ice Tucano 45. O sorvete de R$ 100 milhões.

Por que viraram à direita ou A escolinha da arte de lamber saliva.

O julgamento das oligarquias.

Dr. Toicinho enaltece golpe paraguaio como modelo “democrático” das oligarquias.

O significado dos termos esquerda e direita em política.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ice Tucano 45. O sorvete de R$ 100 milhões

Ice Tucano 45.
O sorvete de R$ 100 milhões!



#IceTucano45
Fórmula da riqueza instantânea é o segredo do negócio milionário


ÉPICA - Revista dialética
Investiga as razões (ou a falta delas) para o picolé de R$ 100 milhões.
Fórmula secreta, guardada a 45 chaves, explicaria riqueza instantânea.

PIG instrui rola-bostas a não falarem de sorvete e negócios gelados: "O inverno já chegou!"



Leia também:

Papa Francisco prefere não ter passado. #Conveniência e / ou #171teológico

McWorld? Não, obrigado.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa Francisco prefere não ter passado. #Conveniência e / ou #171teológico



Papa Francisco prefere não ter passado.
#Conveniência e / ou #171teológico

171 teológico é muito conveniente!
Verdade incomoda Vaticano.

O jornal que incomoda fardas e batinas



Na manhã seguinte ao anúncio de um Papa argentino, o jornal ‘Página 12’ sacudiu Buenos Aires com a manchete: ‘!Dios, Mio!’

Na 6ª feira, dois dias depois, como relata o correspondente de Carta Maior, Eduardo Febbro, direto do Vaticano, o porta-voz da Santa Sé reclamou do que classificaria como ‘acusações caluniosas e difamatórias’ envolvendo o passado do Sumo Pontífice.

Em seguida atribui-as a ‘elementos da esquerda anticlerical’.

Alvo: o ‘Página 12’ .

Com ele, seu diretor, o jornalista Horácio Verbitsky, autor de um livro sobre o as suspeitas que ensombrecem a trajetória do cardeal Jorge Mário Bergoglio, durante a ditadura argentina.

A cúpula da Igreja acerta ao qualificar o ‘Página 12’ como ‘de esquerda’ – algo que ostenta e do qual se orgulha praticando um jornalismo analítico, crítico, ancorado em fatos.

Mas erra esfericamente ao espetá-lo como ‘anticlerical’.

O destaque que o jornal dispensa ao tema dos direitos humanos não se restringe ao caso Bergoglio.

Fundado ao final da ditadura, em maio de 1987, o ‘Página 12’ é reconhecido como o grande ponto de encontro da luta pelo direito à memória na Argentina.

Não foi algo premeditado.

No crepúsculo da ditadura militar, um grupo de jornalistas de esquerda vislumbrou a oportunidade de criar um veículo enxuto, no máximo 12 páginas (daí o nome), mas dotado de densa capacidade analítica.

E, sobretudo, radicalmente comprometido com a redemocratização e com os seus desafios.

A receita das 12 páginas baseava-se num cálculo curioso.

Era o máximo que se conseguiria produzir com qualidade naquele momento; e o suficiente para a sociedade reaprender a refletir sobre ela mesma.

A fidelidade a essa diretriz (hoje o total de páginas cresceu e a edição digital tem mais de 500 mil acessos/dia) levou-o, naturalmente, a investigar os crimes da ditadura.

Seu jornalismo tornou-se um acelerador da transição que os interesses favorecidos pelo regime militar gostariam de maquiar.

Não apenas interesses econômicos.

Lá, como cá, existe um núcleo de poderosas empresas de comunicação, alvo agora da ‘Ley de Medios’, no caso da Argentina, que, por interesse financeiro, identidade ideológica ou simples covardia integrou-se ao aparato repressivo.

Usufruiu e desfruta vantagens dessa intimidade. Até hoje. O quase monopólio das comunicações é uma delas – combatida agora pelo governo de lá.

Naturalmente, a pauta dos direitos humanos dispunha de um espaço acanhado e ambíguo nessa engrenagem.

Não por falta de familiaridade com o assunto.

Mais de uma centena de jornalistas foram presos e muitos desapareceram na ditadura argentina.

A principal fábrica de papel de imprensa do país foi praticamente expropriada de seus donos.

Eles estavam presos, foram torturados. E então a transferência de propriedade se deu.

A sociedade compradora tinha como participantes o próprio governo militar e os principais jornais apoiadores do regime. Entre eles o ‘El Clarín’, de oposição frontal ao governo Cristina, atualmente.

O ‘Página 12’ não se deteve diante das conveniências. E vasculhou esses impérios sombrios.

Fez o equivalente em relação aos direitos humanos em outros países. Não raro, com a mesma mordacidade que incomoda agora o Vaticano.

Quando Pinochet morreu em 2006, a manchete indagava: ‘Que terá feito o inferno para merecer isso?’

A condenação do ditador Videla à prisão perpétua, em 2010, mereceu letras garrafais: ‘Deus existe!’

Foi com essa ironia, debochada, às vezes, mas sempre intransigente em defesa dos direitos humano, que o ‘Página 12’ tornou-se um espaço apropriado pelos familiares dos desaparecidos políticos.

Por solicitação de Estela Carlotto, atual dirigente das Abuelas de Plaza de Mayo, passou a publicar, desde 1988, pequenas atualizações da trajetória familiar de vítimas da ditadura.

Os anúncios sugerem uma espécie de prosseguimento da vida dos que foram precoce e violentamente apartados dela.

Filhos que perderam os pais ainda crianças, mencionam os netos que esses avós jamais viram; avós falam dos bisnetos.

O efeito é tocante. Ao se deparar com a foto de um jovem desaparecido, sabe-se que hoje ele poderia estar brincando com os netinhos, filhos dos filho que agora tem a idade com a qual ele morreu.

Em 2007, o ‘Página 12’ recebeu na Espanha o prêmio da Liberdade de Imprensa, instituído pela Casa da América, junto com a Chancelaria espanhola e o governo da Catalunha.

Motivo: a seriedade na defesa dos direitos humanos e o compromisso com o rigor da informação, requisito da liberdade de expressão.

No momento em que pairam sombras sobre o Vaticano, o que deve fazer essa cepa de jornalismo?

O ‘Página 12’ faz o que, em geral, desagrada aos poderes terrenos e celestiais: investiga, pergunta, rememora.

Ao contrário do que sugere o porta-voz da Santa Sé, não se trata de um cacoete anticlerical.

O assunto extravasa o campo religioso e envolve uma questão de interesse político de toda a sociedade.

Trata-se de uma responsabilidade ecumênica e universal, da qual o ‘Página 12’ não abre mão: o dever de todos, sobretudo das autoridades, de zelar e fazer respeitar os direitos humanos e democráticos dos cidadãos.

Sob quaisquer circunstancias; mas principalmente quando são ameaçados. Como na ditadura dos anos 70/80.

Há dúvidas se o passado do cardeal Mario Jorge Bergoglio nesse campo honra o manto santo que agora envolve Francisco, o desenvolto sucessor do atormentado Bento XVI.

As dúvidas estão marmorizadas em um lusco-fusco de pejo, silêncios e versões contrastantes.

É preciso esclarecer.

Há nomes, testemunhos, relatos, datas e um cenário dantesco: os anos de chumbo vividos pela sociedade argentina, entre 1976 e 1983.

O país do então líder dos jesuítas, Mario Jorge Bergoglio, vivia o inferno na terra, sob a ação genocida de uma ditadura cujos atos confirmam a indiferença aterrorizante dos aparatos clandestinos em relação à vida e à dor.

O que se ouve ainda arrepia.

A mesma sensação inspira o rosto endurecido e gasto dos líderes militares, julgados e condenados. Um a um; em grande parte, graças a pressão inquebrantável das denúncias e investigações ecoadas nas edições do 'Página 12'

Em sete anos, o aparato militar montou e azeitou uma máquina de torturar, matar e eclipsar corpos que operou de forma infatigável.

Nessa moenda 30 mil pessoas foram liquidadas ou desapareceram.

Mais de 4 mil e duzentos corpos por ano.

Filhos de militantes de esquerda foram sequestrados, entregues a famílias simpáticas ao regime.

Muitos permanecem nesse limbo.

No dia em que a ‘fumata bianca’ do Vaticano anunciou o ‘habemus papam’ e em seguida emergiu a figura do cardeal argentino, no balcão do Vaticano, Graciela Yorio esmurrou as paredes de seu apartamento, a 11.200 quilômetros de distancia, em Buenos Aires.

O relato está nos jornais argentinos e também na Folha de São Paulo.

A revolta deve-se a uma certeza guardada há 36 anos na memória dessa sexagenária.

Em maio de 1976, seu irmão, padre Orlando Yorio, foi delatado à ditadura sedenta e recém-instalada.

Juntamente com o sacerdote Francisco Jalics, este vivo, na Alemanha— Yorio ficou cinco meses nas mãos dos militares.

Incomunicáveis, na temível Escola Mecânica da Marinha, adaptada para ser a máquina de moer ossos do regime.

O delator dos dois religiosos teria sido o cardeal Bergoglio -- o Papa, então com cerca de 40 anos, líder conservador dos jesuítas argentinos.

Essa é a convicção de Graciela, baseada no que ouviu do irmão, falecido em 2000, militante da Teologia da Libertação, como Jalics.

Jalics não se pronunciou. Alegando viagem, emitiu uma nota na Alemanha em que se diz em paz e reconciliado com Bergoglio.

A nota compassiva não nega a dor que leva Graciela ainda a esmurrar paredes.

A estupefação tampouco é apenas dela.

Ainda que setores progressistas argentinos optem por uma certa moderação em público, muitas vozes não se calam.

Estela Carlotto, a dirigente das Abuelas de Mayo, em entrevista ao ‘Página 12’ deste sábado, procura manter a objetividade num relato que adiciona mais nuvens às sombras.

Carlotto afirma que o Cardeal Bergoglio nunca fez um gesto de solidariedade para ajudar a luta mundialmente reconhecida das mães e avós de desaparecidos políticos argentinos.

Poderia, mas não facilitou a reunião do grupo com o Papa. Ao contrário.

O primeiro encontro, em 1980, no Brasil, só aconteceu por interferência de religiosos brasileiros.

As abuelas só seriam recebidas em Roma três anos mais tarde; de novo, graças a contatos alheios ao cardeal Bergoglio.

Prossegue Estela Carlotto.

O cardeal teria sido conivente com o sequestro de pelo menos uma criança nascida na prisão.

Procurado por familiares da desaparecida política, Elena de la Quadra, teria aconselhado: ‘Não busquem mais por essa criança que está em boas mãos’.

E desfechou sentença equivalente em relação às demais.

O ‘Jornal Página 12’ tem sido o principal eco desses relatos e dessa revolta, que muitos relativizam e gostariam de esquecer.

O que o jornal faz ao investigar as dúvidas que pairam sobre Francisco é coerente com o 'manual de redação' sedimentado na prática da democracia argentina nesses 25 anos de existência: não sacrificar a memória ao conforto das conveniências.

Pode soar anticlerical a setores da Igreja que gostariam de esquecer o que já se cometeu neste mundo, em nome de Deus.

Mas é um reducionismo improcedente, que se dissolve na trajetória reconhecidamente qualificada do 'Página 12'.

Na Argentina, graças à persistência de vozes como a de seus jornalistas, a memória deixou de ser o espaço da formalidade.

Hoje ela é vista como um pedaço do futuro. Um mirante poderoso para se entender o presente e superar as forças, e a lógica, que esmagaram a sociedade no passado.

Carta Maior orgulha-se de ser parceira do jornalismo criterioso e corajoso de ‘Página 12’ no Brasil.

Postado por Saul Leblon às 20:34

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1209

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sábado, 16 de março de 2013

Os amigos do Papa Francisco


Os amigos do Papa Francisco



O ataque à “esquerda anticlerical” e os silêncios do Vaticano

O porta-voz do Vaticano disse que as acusações contra Jorge Bergoglio provêm de uma “esquerda anticlerical” que quer “atacar a Igreja”. Federico Lombardi não fez nenhuma menção ao já provado: a trama montada pela Igreja Católica para sustentar a ditadura argentina. Uma menção, ainda que fosse de desculpas ou reconhecimento, ou o anúncio de uma audiência com as Mães da Praça de Maio, teria provado que a mudança nas esferas vaticanas começava ao menos por esse caminho. Mas a Igreja é tão hermética na hora de admitir seus pecados quanto o é para administrar o Banco do Vaticano. O artigo é de Eduardo Febbro, direto da Cidade do Vaticano.


Cidade do Vaticano - A Santa Sé partiu para a ofensiva e, pela primeira vez desde que Jorge Bergoglio foi designado papa pelos cardeais, entrou na polêmica sobre a atitude do argentino durante os anos da ditadura. O afável porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, rebateu as suspeitas que pesam sobre a igreja e o Papa Francisco a propósito de sua atuação branda durante a última ditadura argentina. Lombardi disse em uma coletiva de imprensa que essas acusações contra Bergoglio “provém de uma esquerda anticlerical” cuja meta consiste em “atacar a Igreja”. Defendendo o Papa, Lombardi estendeu seu argumento ao resto da Igreja como se já não estivesse mais do que provada a implicação da hierarquia católica argentina e vaticana no ocultamento das violações dos direitos humanos e no conluio com os crimes da junta militar.

O porta-voz da Santa Sé disse em Roma que essas acusações derivadas das investigações do jornalista Horacio Verbitsky eram levadas a cabo “por uma publicação que lança, às vezes, notícias caluniosas e difamatórias. O caráter anticlerical desta campanha e de outras acusações contra Bergoglio é notório e evidente”. Ele estava se referindo ao jornal argentino Página12.

O porta-voz do Vaticano disse ainda que as suspeitas que recaem sobre o hoje Papa Francisco datam da época em que ele era superior da Companhia de Jesus na Argentina, em 1976. Neste período foram sequestrados dois missionários jesuítas, Orlando Yorio e Francisco Jalics. Ambos trabalhavam na comunidade portenha de Bajo Flores e foram torturados e liberados cinco meses mais tarde. Horavio Verbitsky realizou várias investigações a partir das quais estabeleceu uma conexão entre Bergoglio e o desaparecimento dos jesuítas: Yorio, já falecido, e Jalics, que mora na Alemanha desde 1978. Vários testemunhos recolhidos por Verbitsky deram conta de que Yorio nunca perdoou o papel que Bergoglio teria desempenhado no episódio, inclusive com a suspeita de que ele os teria delatado.

Federico Lombardi disse que “jamais houve uma acusação verossímil contra o Papa. A justiça argentina o interrogou, mas como pessoa informada de fatos e jamais foi acusado de algo. Ele negou de forma documentada as acusações”. O porta-voz se referiu ao texto publicado ontem por um dos envolvidos, Francisco Jalics, que rompeu o silêncio por meio da página dos jesuítas alemães na internet. Em uma declaração pessoal publicada nesta página, Jalics escreve: “Não posso me pronunciar sobre o papel do padre Bergoglio naqueles eventos”. Jalics conta que, tal como mencionou o porta-voz do vaticano em sua declaração, teve “a ocasião de falar sobre esse tema com o padre Bergoglio. (...) Estou reconciliado com os acontecimentos e considero que chegou a hora de dar esse caso por encerrado”, escreve o jesuíta.

A edição digital do semanário Der Spiegel publicou, por sua vez, uma declaração do porta-voz jesuíta, Thomas Busch, que conta que, convidado pelo arcebispado de Buenos Aires, Jalics viajou a Argentina há vários anos (2000) e que, depois de falar com ele, “está em paz com Bergoglio”. Federico Lombardi argumentou que o Papa “fez muito para proteger as pessoas durante a ditadura”. Também assinalou que, uma vez nomeado arcebispo de Buenos Aires, “pediu perdão em nome da Igreja por não ter feito o suficiente durante o período da ditadura”. No entanto, o testemunho trazido por Francisco Jalics esclarece um pouco mais o jogo duplo da Igreja naqueles anos. Jalics diz que “a Junta Militar matou cerca de 30 mil pessoas em um dois anos, tanto guerrilheiros de esquerda como civis inocentes”. Os dois jesuítas sequestrados acabaram entrando nesta mistura: nem ele nem Yoro tinham contatos “nem com a junta nem com os guerrilheiros”.

No entanto, Jalics deixa claro em seu relato que “informações deliberadamente falsas” surgidas inclusive “a partir de dentro da Igreja” induziram a que se suspeitasse das supostas relações que Yoro e Jalics manteriam com os grupos armados. Essa foi a causa do sequestro. Na verdade, o testemunho de Jalics não diz grande coisa sobre a atitude de Bergoglio. Nem o desculpa, nem o acusa: só diz que se reconciliou com ele e que não pode se pronunciar sobre o papel que ele desempenhou.

O jornal Página12 não foi o único a se interessar no que Jorge Bergoglio podia ou não saber sobre fatos ocorridos a partir de 1976. A justiça francesa também colocou os olhos sobre ele. Em 2011, a magistrada francesa do Tribunal de Grande Instância de Paris, Sylvia Caillard, remeteu a Buenos Aires uma carta rogatória internacional para que o então cardeal Bergoglio prestasse depoimento na qualidade de “testemunha” no caso do assassinato do padre francês Gabriel Longueville. A advogada francesa Sopié Tono confirmou em Paris que as “autoridades argentinas nunca responderam positivamente à carta que pedia o depoimento de Bergoglio”.

O sacerdote francês trabalhava na Argentina para a Ordem das Missões da França. Na noite de 18 de julho de 1976, os padres Gabriel Longueville e Carlos Dios Murias foram sequestrados na localidade de Chamical, província de La Rioja, por civis armados que se identificaram como membros da Polícia Federal. No dia seguinte, seus corpos, com evidentes sinais de tortura, foram encontrados a 5 quilômetros de Chamical, atirados ao lado da estrada. As condições do sequestro e o assassinato de Murias e Longueville levaram outro religioso a investigar e pagar com sua vida essa intervenção. Trata-se do arcebispo de La Rioja, Monsenhor Angelelli, que realizou uma investigação para esclarecer o crime. Seu trabalho foi fatal para ele: no dia 4 de agosto de 1976, 17 dias depois do assassinato de Murias e Longueville, o Monsenhor Enrique Angelelli morreu em circunstâncias suspeitas. A primeira versão oficial estabeleceu que Angelelli faleceu em um acidente automobilístico. No entanto, as provas levantadas mais tarde confirmaram que se tratou de um atentado.

No dia da sua morte, o bispo de La Rioja regressava de Chamical, onde havia celebrado uma missa e pronunciado a homilia na qual denunciou o assassinato dos dois padres. No veículo que conduzia Angelelli havia uma testemunha, o padre Arturo Pinto, e um elemento central: um portfolio que continha as provas recolhidas por Angelelli sobre o assassinato de Murias e Longueville. Pinto contou que, assim que deixaram Chamical, outro automóvel começou a persegui-los. O bispo se deu conta, acelerou, mas à altura de Punta de los Llanos surgiu outro carro que o fechou até fazer tombar a caminhonete. O corpo de Angelelli foi encontrado com a nuca destroçada a golpes.

Em 2011, quando foi enviada a carta rogatória, a advogada Sophie Thonon julgou que o depoimento de Bergoglio como “testemunha” era necessário para que o então arcebispo de Buenos Aires fornecesse informações sobre a possível existência de arquivos ligados a este caso. Sophie Thonon disse que “seguramente este Papa não é uma grande figura da defesa dos direitos humanos. Ao contrário, pesa sobre ele a suspeita de não ter denunciado os crimes da ditadura, de não ter cobrado esses crimes e, por conseguinte, de ter encoberto esses atos com seu silêncio”. A instrução do caso do padre Longueville segue ativa na França, mas pode dar em nada devido às condenações já proferidas na Argentina contra os acusados pelo assassinato do religioso. Neste sentido, Sophie Thonon considerou que “a justiça argentina está fazendo um trabalho excepcional sobre os crimes cometidos na Argentina durante a ditadura”.

Federico Lombardi se referiu nesta sexta à questão do Papa Francisco sem fazer a menor menção ao já provado: a trama montada pela Igreja para sustentar a ditadura argentina. Uma menção, ainda que fosse de desculpas ou reconhecimento, ou o anúncio de alguma futura audiência com as Mães da Praça de Maio ou com os defensores dos Direitos Humanos, teria sido, sem dúvida, mais nobre e acertado: teria provado que a mudança nas esferas vaticanas começava ao menos por esse caminho. Mas a Igreja é tão hermética na hora de admitir seus pecados quanto o é para administrar os seus fundos através do Banco do Vaticano.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer




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