domingo, 28 de setembro de 2014

Quer votar em Marina? Adeus churrasco, 13º, férias, FGTS, Pré-sal, BB, CEF etc.



Quer votar em Marina?
Adeus churrasco, 13º, férias, FGTS, Pré-sal, BB, CEF etc.



EcoEntreguismo: a direita "moderna"




A ficha caiu


Por: Saul Leblon


A fatalidade de um arrocho doloroso, ganhe quem ganhar, é o novo bordão do jogral do Brasil aos cacos. A receita foi condensada em editorial do Financial Times.





Financial Times declama a ladainha do arrocho inevitável




Nenhuma frase resume de forma tão incisiva o cavalo de pau ocorrido na política brasileira nos últimos 20 dias — a forma como ele se deu, a intensidade do confronto que o desencadeou e os seus desdobramentos para o futuro — quanto o desabafo da presidenta Dilma Rousseff na última 6ª feira.

Em entrevista a um grupo de blogueiros, ‘sujos, ideológicos’, como a eles se refere o higienismo isento, a candidata explicitou assim o divisor que marcará o seu possível segundo mandato: ‘Terei um embate (político) mais sistemático; não serei mais tão bem comportada; me levaram para um outro caminho, que não era o que eu queria’.

Nenhuma liderança responsável escolhe o caminho do embate sistemático como sua primeira opção.

Um chefe de Estado tem obrigação de esgotar as linhas de menor resistência na consecução de seus compromissos.

A rotina de confrontos carente de uma correlação de forças pertinente, não raro imobiliza a sociedade, asfixia a economia, prejudica, em primeiro lugar, os mais pobres.

A história de Dilma não autoriza ninguém a caracterizá-la como uma mulher desprovida de coragem pessoal e política.

São essas referências que adicionam abrangência superlativa ao desabafo da presidenta e candidata.

Mais que isso.

Sua assertiva ecoa um sentimento coletivo no campo progressista. Inclua-se aí o estado de espírito da ala majoritária do PT, da qual faz parte a principal liderança política do partido e do país: Lula.

Em três mandatos presidenciais sucessivos predominou nesses protagonistas a determinação de restringir o confronto direto com os interesses conservadores na faixa de segurança permitida por uma correlação de forças adversa.

O marcador mais significativa dessa adversidade é a própria abrangência da coalizão de governo. O que antes parecia uma contingência administrável — ainda que a um custo político cada vez mais asfixiante — evidenciou nestas eleições os contornos de um ciclo esgotado.

Três fatores convergiram para essa condensação:

1) o desespero conservador com possibilidade de um quarto ciclo presidencial fora do poder –o que poderá significar a morte do PSDB;

2) a redução da margem de manobra na economia, após seis anos de crise mundial, gerando insatisfação e rupturas – entre as quais alinham-se as manifestações de junho do ano passado, e

3) o surgimento de uma candidatura competitiva, capaz de reabrir as portas do poder ao conservadorismo – e a um revival extremado do modelo neoliberal dos anos 90.

No final de agosto esse conjunto formava um aluvião anti-Dilma.

Era tão denso que expoentes do colunismo conservador ejaculavam precocemente a derrota irreversível do ‘lulopetismo’.

O catalisador do êxtase, a candidata Marina Silva, chegou a abrir 10 pontos de vantagem, então, nas enquetes de 2º turno do Datafolha.

O resto é sabido (leia ‘Uma semana para não esquecer’; nesta pág)

O sinal de alarme ensejou no PT o fulminante arremate de uma inquietação disseminada, mas que aguardava o safanão de uma crise para emergir .

Em um encontro de balanço da campanha em São Paulo, dia 5, coube a Lula sintetizar a lição da qual tampouco não se eximia:

‘Nós ficamos economicistas; não nos faltam obras, mas política’, diagnosticou para prescrever o antídoto: ‘Temos que demarcar o campo de classe dessa disputa: é preciso levar a política à propaganda’.

A partir de então a essência radicalmente neoliberal embutida no programa de Marina Silva passou a ser floculada do espumoso caudal de 242 páginas.

O extrato dessa depuração tem sido exposto à luz do sol em uma narrativa pedagógica, determinada a tipificar um a um seus riscos históricos, estratégicos e sociais.

Pertence à mesma mutação em curso o desabafo feito pela Presidenta Dilma na entrevista aos blogueiros, na 6ª feira passada.

Dilma passou a dar nomes aos bois.

Porém, mais que isso.

Anunciou que num eventual novo governo, essa dimensão do embate político, mitigada pela prioridade administrativa da gestão, passará a desfrutar de espaço nobre.

Pode-se argumentar que se trata apenas de um arroubo dirigido a plateia receptiva.

E que tudo voltará a ser como sempre --na verdade, muito pior-- caso as urnas de outubro concedam um quarto mandato presidencial ao PT.

Afinal, a fatalidade de um ‘arrocho doloroso’, ganhe quem ganhar, é o novo bordão do jogral do Brasil aos cacos.

É assim que o conservadorismo se calça, diante da eventual vitória do PT, tentando desde reduzi-lo a um frango desossado da Sadia, que só se equilibra espetado em interditos e ajustes incontornáveis.

Ou não será isso que o editorial do Financial Times adianta neste sábado?

Referência dos mercados internacionais –e das pautas nacionais, ao lado da Economist, o diário londrino afirma que a redução em curso na liquidez mundial, por conta da proximidade da elevação dos juros nos EUA, exigirá ‘uma quase inevitável’ e ‘dolorosa correção em países como Brasil, Turquia e África do Sul’.

Por ‘dolorosa’, entenda-se: choque de juros, arrocho fiscal, redução do poder de compra das famílias assalariadas, privatizações (‘flexibilizar o pré-sal’) etc.

Sim, a agenda da frente única do conservadorismo que assessores de Marina e Aécio tem vocalizado às plateias extasiadas de banqueiros e com a qual se pretende depenar o PT num eventual segundo turno em outubro.

A receita vendida pelo conservadorismo talvez fosse inevitável, de fato, se o desabafo de Dilma e de Lula nestas eleições significasse apenas um ponto fora da curva.

Um rompante, e não a trajetória final da ficha que acelerou sua aterrissagem no discernimento do partido nos últimos anos.

O acelerador dessa curva tem um motor turbinado.

Seu combustível é o ponto de exaustão atingido pelas relações entre o partido, seus dirigentes e a mídia conservadora.

Marmorizada de ódio político e desrespeito pedestre, a guerra fria cabocla contra o PT ensejou uma experiência de acuamento até certo ponto nova na existência do partido - ainda que virulenta para saturar um ciclo.

Círculos dirigentes e militantes mais antigos não experimentaram nada parecido antes. Nem mesmo na sua origem, nos anos 70/80, quando operários do ABC se colocaram frontalmente contra o regime militar, em desafio aberto ao poder armado e empresarial.

Sedimentou-se ali, ao contrário, com base em uma cumplicidade que parecia ampla e sólida, a suposição de que haveria da parte da imprensa se não apoio, ao menos respeito com o avanço da luta dos trabalhadores.

Mais que isso: tolerância com a criação de um partido próprio, de recorte socialista ecumênico.

Ancorada na intensidade histórica de uma fase alegre dos consensos democráticos, criou-se assim uma jurisprudência petista.

A mediação com o conjunto da sociedade, embora marcada pela má vontade de chefias e donos de jornais, estava sendo feita a contento pelos meios de comunicação.

Até o 2º governo Lula, o PT nunca incluíra entre as suas prioridades efetivas a de regularizar o sistema de comunicação existente para torná-lo mais plural.

Do mesmo modo, nenhum dirigente histórico deu ao projeto de construção de uma mídia própria, a prioridade política, financeira e mobilizadora devotada, por exemplo, a uma campanha eleitoral.

A proximidade com os jornalistas - muitos dos quais renunciariam a cargos e carreiras para se engajar na construção do partido e nas campanhas eleitorais dos tempos pioneiros- cevou ilusões.

O trânsito fácil com a imprensa sugeria haver espaço a ocupar na caixa de ressonância da grande indústria de notícias.

Um consenso algo ingênuo, algo acomodado enxergava uma margem de manobra nas redações; a cota de tolerância não se esgotara.

A derrota para Collor em 1989, quando a Globo manipulou a edição do debate decisivo da campanha, e deu quase dois minutos adicionais ao 'caçador de marajá' no Jornal Nacional, abalou essa inércia.

Mas não construiu uma novo diagnóstico político, forte o suficiente para renovar a agenda em relação ao poder midiático.

A liderança de massa de Lula atingiu seu auge e reverberou no país durante os oito anos que esteve à frente de um governo exitoso no plano social e econômico.

O prestígio esmagador dentro e fora do Brasil empalideceu o cerco midiático diante da obrigatoriedade de se conceder espaço e voz ao Presidente.

O conjunto coagulou o debate petista sobre o papel da comunicação na construção de uma democracia social em um dos países mais desiguais do planeta.

Parecia desnecessário diante dos êxitos econômicos sucessivos que calavam uns e ansiavam outros.

Nesse idílio escaparia a Lula e aos dirigentes petistas a brutal transformação em marcha no interior da mídia e na própria composição das redações.

Ao longo de duas década de polarização entre a agenda afuniladora do neoliberalismo e a da implantação de um Estado social tardio no país, o jornalismo brasileiro sofreria uma mudança qualitativa de pauta e estrutura.

A tentativa de impeachment de Lula em 2005, já no ciclo da chamada crise do 'mensalão' - que culminaria em 12 de novembro de 2013 com a condenação dos dirigentes José Dirceu e Genoíno à prisão - sacudiu a inércia petista com força pela primeira vez.

O espaço de tolerância acalentado ainda por emissários autonomeados, que traziam recados dos donos de jornais e revistas sobre o preço a pagar por uma trégua na escalada golpista, perdeu eco na cúpula do governo.

Lula, a contrapelo dos punhos de renda do petismo, recorreu então ao movimento sindical.

A palavra 'golpe ' foi entronizada no discurso da resistência - para horror dos que teimavam em buscar um acordo com o dispositivo midiático conservador.

Numa quadra de clamorosa falência do projeto neoliberal, o tridente udenista da corrupção e a demonização da esquerda como sujeito histórico degenerado, pôs-se a campo ainda como mais força, a partir de então.

Tornou-se a pauta-jogral de um dispositivo midiático reestruturado para esse fim.

Qual?

Fazer do segundo mandato de Lula a evidência de que essa dissonância histórica não seria mais tolerada na democracia tutelada pelo poder do dinheiro.

Instalou-se um termidor antipetista nas redações.

A ilusão na mídia como ambiente democrático permissivo à formação da consciência crítica e progressista da sociedade deixou de existir.

A percepção dessa ruptura e os desdobramentos políticos que ela acarreta cristalizaram-se no linchamento midiático que orientou as togas inebriadas pelos holofotes, na Ação Penal 470.

O que Dilma está dizendo agora, portanto, não é um acidente de percurso.

Está sedimentado nas estocadas de uma espiral virulenta que, como ela mesma diz, ‘me levaram para um outro caminho, que não era o que eu queria’

A ficha da crispação conservadora caiu definitivamente nesta campanha de 2014.

O PT e sua propaganda redescobriram que não se faz política sem definir o adversário, dizer o que ele representa, por que precisa ser derrotado, as perdas e danos de se entregar o país de volta ao poder conservador.

Por enquanto isso é feito na janela que o horário eleitoral abriu ao partido em meio ao monólogo conservador que dá aos dois minutos de Marina uma extensão de horas.

Mas e depois que ela se fechar outra vez?

‘Vou fazer a regulação econômica da mídia’, sacramentou Dilma na entrevista da 6ª feira aos blogs ‘sujos e ideológicos'.

Isso não é pouco.

Não apenas pelo efeito esclarecedor que exerce na opinião pública, hipnotizada pelo jogral do Brasil aos cacos.

O que Dilma está vocalizando é uma agenda, não uma medida solteira.

Se socialismo é levar a democracia às suas últimas consequências, a pluralidade da informação que isso requer não pode ser confundida com a disseminação de tabletas e celulares de última geração entre os brasileiros.

A disjuntiva que se coloca é entre a livre formação do discernimento político da sociedade ou a sua subordinação a um aparato claustrofóbico de difusão, que se avoca o direito de enclausurar a formação da opinião pública brasileira em pleno século XXI.

Não se trata de uma queda de braço ideológica, tangencial à gestão progressista do Estado.

É um problema do desenvolvimento brasileiro.

A presidenta Dilma incorporou a chave da eficiência às prioridades do seu governo.

Com razão: é obrigação progressista zelar pela cuidadosa aplicação dos fundos públicos, erigir um Estado transparente, capacitá-lo a mobilizar recursos e coordenar as ações da dura luta pelo desenvolvimento soberano e e justo.

Durante muito tempo, porém, errou-se ao não afrontar as demais intercorrências da agenda do Estado mínimo.

Entre elas a gororoba ideológica construída em torno da lingérie mais reluzente do conservadorismo: o fetiche da autossuficiência da gestão.

Confunde-se a opinião pública ao endossar falsas convergências redentoras, a exemplo do ‘fazer mais com menos’, que omite a verdadeira luta de sabre para dividir a fatura da crise e instaurar o passo seguinte do desenvolvimento. Ao não distinguir uma coisa de outra, corre-se o risco de endossar a tese que pretende equacionar a desordem atual com poções adicionais do veneno que a originou.

O colapso neoliberal trouxe para o colo do governo uma crise da qual a Nação é vítima e não sócia; as forças progressistas são adversárias, não co-autoras.

O nome da crise não é PT, não é gastança, não é Petrobrás, não é desrespeito ao tripé, como quer a constrangedora declamação de Marina Silva.

O nome da crise é capitalismo desregulado, é supremacia financeira, é a desenfreada ferocidade com que os capitais fictícios exigem um mundo plano de fronteiras livres e desimpedidos , por onde possam transitar à caça de fatias reais de uma riqueza, para a qual não se dispõem a contribuir, apenas se apropriar em espirais de bolhas recorrentes.

A dissonância de um Brasil que se propõe a construir um Estado de Bem-estar social tardio, regulado e soberano, precisa ser sufocada para que o fluxo incorpore esse promissor naco da riqueza mundial ao seu circuito.

‘Não há alternativa’, dizia Margareth Thatcher nos anos 70.

Quarenta anos depois e uma colapso da ordem neoliberal que se ombreia à crise de 1929, é o que continuam a dizer Aécio, a doce Marina e a mídia que os ancora.

É o que continua a pontificar o editorial do Financial Times, a vaticinar ‘um arrocho doloroso’ para o Brasil, ganhe quem ganhar as eleições do próximo domingo.

Os desequilíbrios de fato existem. Não se incorpora 60 milhões de ex-miseráveis e pobres ao mercado sem mexer nas placas tectônicas de uma ‘estabilidade capitalista’ alicerçada em uma das mais desiguais estruturas de renda do planeta.

Há duas opções: avançar e dar coerência estrutural e política à emergência desse novo ator, ou recuar e devolvê-lo à margem de origem. Custe o que custar.

Será ‘doloroso’ , avisa o Financial Times, sobre aquilo que Aécio, Marina e o colunismo isento vendem como virtude.

Para fazer diferente não basta buscar atalhos na gestão da macroeconomia.

A macroeconomia não é de esquerda, nem de direita.

Quem adiciona coerência à macroeconomia do desenvolvimento é correlação de forças da sociedade em cada época.

Para fazer diferente do que a frente única do conservadorismo apregoa será necessário coordenar as linhas de passagem de um novo ciclo histórico repactuando metas, concessões, prazos, avanços e salvaguardas com o conjunto das forças sociais.

Isso requer uma mídia pluralista para que possa acontecer. Foi essa sucessão de contingências que fez cair, definitivamente, a ficha histórica do PT em plena eleição de 2014.

A consciência desse aggiornamento estratégico talvez seja uma vitória tão importante quanto vencer no próximo domingo. Porque só assim será possível honrar os compromissos com a sociedade nos próximos quatro anos.


 

 

 

10 razões para votar em Dilma

Por: Eric Nepomuceno

Estamos às portas da hora de uma dessas escolhas que vão muito além de como adoçar o café: em quem votar para presidente. Aqui estão as minhas razões.


A vida é feita de escolhas, que vão das mais simples – decidir se o café deve ser com açúcar, adoçante ou sem nada – às que trazem consequências e produzem efeitos concretos sobre o futuro de milhões de pessoas.

Estamos às portas da hora de uma dessas escolhas que vão muito além de como (e se) adoçar o café: em quem votar para presidente.

E, sem vislumbre algum de dúvida, declaro meu voto em Dilma Rousseff. Tenho carradas de razões para ter feito essa escolha. Menciono aqui treze delas.

A primeira é simples: porque é necessário assegurar as transformações sociais que o país vive desde 2003, com a chegada de Lula da Silva à presidência, e que foram aprofundadas com Dilma Rousseff. Das três opções que me oferecem, uma – e apenas uma – significa essa garantia: as outras duas significam voltar ao passado.

O pedigree do candidato não permite dúvidas com relação a isso, e o da outra candidata é tão indefinido, tão incerto e errático, que me permite duvidar de tudo que ela diz. Impossível confiar em quem trai e desmerece a própria biografia.

A segunda é igualmente simples: porque, além de preservar o que foi conquistado, é preciso avançar muito, aprimorando os benefícios alcançados por dezenas de milhões de brasileiros e ampliando as perspectivas concretas de futuro. É preciso implementar reformas que assegurem não apenas emprego, mas possibilitem aos brasileiros acesso a educação, saúde, transporte e segurança públicas. E não vejo, nos outros dois postulantes, nem consistência, nem coerência, e muito menos compromisso com a busca incessante de justiça social e de futuro.

Terceira razão: porque Dilma Rousseff é a candidata mais bem preparada, a de trajetória mais sólida e coerente, a única de real e efetivo compromisso com o projeto de país que está sendo implantado e que precisa se consolidar e avançar de maneira incessante, contra os ventos e as marés daquela parcela da sociedade que sempre se negou a ouvir a voz dos deserdados e que, nesta eleição, encontrou nos outros dois candidatos seus porta-vozes ideais. Um, com legitimidade. A outra, graças à própria inconsistência e à sua olímpica incoerência.

Quarta: porque ainda há muito caminho a ser percorrido. Se os programas sociais levados adiante pelas três últimas presidências – duas de Lula, uma de Dilma – serviram para abrir as grandes alamedas da esperança, falta implementar reformas essenciais, a começar pela reforma política e o sistema de financiamento das campanhas eleitorais. Falta terminar de recuperar e redesenhar o papel do Estado na economia e em defesa dos interesses da sociedade. Esta é uma batalha árdua, e só será possível obter os resultados necessários com um governo efetivamente comprometido com a maioria dos brasileiros, e não com os setores que, por tradição, reservam a si os benefícios que deveriam estar ao alcance de todos.

Quinta razão: porque o Brasil vem consolidando seu espaço no cenário internacional, com uma política que tem sabido aliar pragmatismo com soberania e autoestima. No momento em que as forças do atraso buscam retomar seu poder em diversos países latino-americanos, e que a maioria dos países europeus padece as perversidades de um sistema que privilegia o capital, ceifando conquistas e transformando-se em estados de mal-estar social, é de importância primordial que o Brasil mantenha sua atual política externa.

Sexta: porque a renda do trabalhador brasileiro obteve ganhos reais. Existe um dado que mostra de maneira clara o trânsito experimentado pelos desfavorecidos: em oito anos, 42 milhões e 800 brasileiros abriram, pela primeira vez na vida, uma conta corrente em um banco. Ou seja: um contingente de brasileiros, que equivale a uma Argentina inteira, experimentou um câmbio efetivo em sua economia familiar.

Sétima: porque, pela primeira vez em meio século, o Brasil teve e tem um governo voltado para os brasileiros. Um governo que, apesar de certos equívocos, agiu sempre na direção do bem comum. E que, quando acertou – e acertou infinitas vezes mais do que errou –, beneficiou os que, até agora, integravam os imensos batalhões dos desvalidos de sempre.

Oitava razão: porque vejo em Dilma Rousseff a única possibilidade de corrigir rotas sem mudar ou perder o rumo. De retificar sem destruir.

Nona: porque é ela, dos três candidatos, a única que realmente sabe de onde veio o atual projeto de país, e portanto saberá levá-lo a bom porto. A única que sabe onde este projeto pretende chegar, e qual o país que pretende construir e legar às gerações que virão.

Décima razão: porque nunca na vida votei na direita.





Aderbal Freire-Filho declara voto em Dilma: "a mudança precisa continuar"

Por: Aderbal Freire-Filho

"Aos que pensam que é possível mudar às pressas, peço que olhem para os que mudaram para outros partidos e que em geral não saem do lugar".


A mudança é o que mais me inspira a votar em Dilma. Não uma mudança aparente, a mudança dos móveis da sala, mudar um quadro de lugar. O que me leva a votar em Dilma é a grande mudança que está sendo feita nas estruturas sociais do Brasil desde o primeiro governo Lula. Votei em Lula querendo mudar.  E, como quis continuar mudando, votei nele uma segunda vez, votei em Dilma e vou votar nela outra vez.

Penso que os eleitores que votaram em Lula na sua primeira eleição e mudaram de ideia depois – muitas vezes vi a exploração de uma foto dos artistas que estavam com Lula e que não estariam mais – teriam sido levados por duas razões principais: assustaram-se com as mudanças quando elas de fato começaram a acontecer ou desejaram que elas se fizessem mais rapidamente.

O Brasil que começou a cortar privilégios, mudar prioridades, dialogar de outro modo com o mundo, dar voz a quem não tinha, pode ter mesmo assustado, sobretudo porque essas mudanças são conhecidas através dos jornais que lemos e que são a voz dos que não queriam e não querem essas mudanças, voz ampliada, cada dia mais rouca de ódios, que não tem pudor em mentir, deturpar, difamar. São cômicos (se não fossem trágicos) os colunistas de uma droite bonbon que se pretendem modernos, inteligentes, espirituosos e incluem na sua prosa expressões cansadas como gauche caviar (velha por velha, muito mais bacana a nossa esquerda festiva), vendendo como novas umas teorias cansadas e desgastadas e acusando de velhos aqueles que são a evolução do pensamento de esquerda dos anos 60. É exatamente o contrário, as teorias da droite bonbon, como seu vocabulário, estão cada vez mais superadas nos centros avançados da discussão política internacional, onde Lula é visto como o novo, estudado e admirado.

Do outro lado, estão os que querem que as mudanças sejam mais rápidas. Esses reclamam das alianças, das concessões, não aceitam os erros que ainda cometemos, acreditam nas versões desses erros dadas pelas vozes da oposição. Não sei se o ritmo certo de mudar o Brasil é este em que vamos, mas sei que mudar uma estrutura gigantesca, de um país gigantesco, de um passado monstruoso, de uma cultura impregnada dos piores vícios não se faz muito rapidamente. O futebol é um bom modelo: é preciso recuar um pouco, voltar a bola para a defesa, treinar bem os fundamentos, atacar pelas pontas e quando se tem um craque diferenciado, que todo o mundo gostaria de ter em sua seleção, passar a bola para ele que, além de fazer o gol, sabe escolher com quem jogar, que inspira o time todo.

Aos que pensam que é possível mudar às pressas, peço que olhem para os que mudaram para outros partidos e que em geral não saem do lugar. Há ainda o risco de serem enganados por quem mostra atalhos que, insinuando caminhos mais curtos, levam de volta ao passado.


Quem quer mesmo mudar, vota com mais convicção agora do que quando votou a primeira vez em Lula: ali era a esperança de mudar, depois veio a certeza de estar mudando, em seguida a segurança da mudança e agora a evidência de que a mudança precisa continuar.
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Aderbal Freire-Filho é (Fortaleza/CE, 1941) é diretor, ator e dramaturgo. Um dos mais conceituados diretores de teatro do Brasil, Aderbal atualmente faz o personagem de um senador corrupto em telenovela da Rede Globo.

 

 

 

O Globo tem medo da verdade!

Por: Altamiro Borges

O que o Globo teme, principalmente, é que venha à tona o papel da grande mídia brasileira na preparação do golpe contra Jango e no apoio à ditadura.


O editorial do jornal O Globo de quinta-feira (25) é mais prova de que a famiglia Marinho tem medo da verdade. Ela teme que os carrascos da ditadura, que torturaram e mataram, sejam identificados e punidos. Teme que os empresários que financiaram os órgãos de terror sejam denunciados. Ela teme, principalmente, que venha à tona o papel da mídia na preparação do golpe e no apoio ao regime militar.

Por estas e outras razões, o jornal tem tanto receio das apurações da Comissão Nacional da Verdade e não aceita sequer discutir a revisão da Lei da Anistia. A bilionária famiglia Marinho, que construiu seu império durante a ditadura, teme a verdade sobre o seu passado facínora e fascistóide.

Segundo o jornal, “a questão das vítimas da ditadura militar encontra-se em um momento sensível”. Após historiar o longo processo de apuração dos crimes, O Globo critica os “grupos que buscam alterar a Lei da Anistia para punir militares. Um desatino, por importar conflitos entre o poder político e as Forças Armadas de quatro, cinco décadas atrás”. Para a famiglia Marinho, a Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada no governo Lula e implantada pela presidenta Dilma, incentiva este “desatino”.

Na defesa dos generais golpistas , o jornal retoma a tese de que, “para ser isenta, a comissão deveria, na busca pela ‘verdade’, também registrar a história de vítimas de movimentos radicais de esquerda”.

Ou seja: quem lutou contra os golpistas e o regime fascista, quem foi perseguido e torturado, quem teve que se exilar, é que deve desculpas aos generais carrascos. Para a famiglia Marinho, “não cabe qualquer pedido de desculpas dos militares, pois já é evidente o reconhecimento de erros pelo Estado. O passado tem de ser conhecido para que não se repita no futuro. Mas sem revanchismos, como prevê a anistia”. E ainda teve gente que acreditou num recente editorial do jornal O Globo que reconheceu “os erros” do apoio ao golpe e à ditadura militar. A famiglia Marinho sempre foi golpista e nunca tolerou a democracia e a participação popular. Nos dias atuais, ele segue sendo fascistóide e golpista!





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