domingo, 29 de maio de 2016

Temerlândia acaba com o SAMU e cria o SIFU



Temerlândia acaba com o SAMU e cria o SIFU

SIFU 171, § único — “Se é pobre, não atenda!”

Considerando os reclamos dos rentistas — endinheirados que recebem R$ 3 bilhões por dia a título de juros da dívida pública —, Temerlão I, monarca alçado ao poder pelo golpe de Estado recente, demonstrando sua inequívoca magnanimidade com os ricos, além das medidas de cortes anunciadas esta semana, extinguiu o SAMU.
Nas fundamentações do decreto, o rei descreve o aludido programa como “dispendioso recurso dirigido a camadas da população que deveriam deixar a moleza de lado, praticar atividades físicas regulares e ir a pé aos postos de saúde e hospitais do SUS, antes que fechem, naturalmente”, avisou com sua habitual “benevolência”.
Segundo sua majestade, “Temerlândia não pode desperdiçar seus parcos recursos com quem não tem meritocracia, visto que as famílias abastadas são incomodadas diariamente com visões desagradáveis em aeroportos e faculdades, pois pretinhos e nordestinos usurpam das regras democráticas e pretendem abusadamente usufruir do mesmo espaço em aviões e universidades, saindo do lugar natural da faxina que Deus Nosso Senhor determinou a eles.”
A característica principal do SIFU é o darwinismo social radical.
Implementado de maneira a atender às demandas do mercado privado de “saúde”, objetiva aprofundar ainda mais a intolerância neoliberal aos pobres, “revogando direitos artificiais e promovendo a assepsia social, ao afastar da paisagem urbana os que não passarem pelos critérios censitários de renda mínima”, estabelecidos pelos decretos temerários.
Em seu § único — “Se é pobre, não atenda” —, o SIFU é autoexplicativo e não deixa margens a dúvidas, impondo pesadas sanções a questionamentos, inclusive com a transferência compulsória para a Torre de Londres, antes confinada a Guantánamo de Curitiba, e, doravante, expandida para todo o território da Temerlândia.
O Supremo Tribunal Piguiano, dirigido por controle remoto pelo Dr. Toicinho, CEO do PIG desde 1939, recusou de chofre “os protestos de bolivarianos impatriotas, desgraçadamente ainda soltos”, que se insurgem contra as inúmeras arbitrariedades do usurpador.
Decretos pipocam do Palácio de maneira desenfreada.
“De acordo com os éditos relacionados às comunicações autorizadas, a Novilíngua Piguiana deve substituir em breve esse exótico idioma adotado nos trópicos antes de Temerlão I (a.T)”, pontificou o Dr. Toicinho.
Como gratidão a seus apoiadores, cursos tresloucados dos tempos reinantes são chancelados. Por exemplo, com a pós-graduação em panelaços nas varandas “gourmets” e passeatas ostentando a camisa verde e amarela da arquicorrupta CBF, Coxinhas foram promovidos e passaram à titulação de Trouxinhas, devidamente reconhecidos e certificados pelo MBA (“To be the goat”Pagar o Pato), terceirizado pelos partidos do golpe e ministrados nas avenidas e redes sociais pela empresa MBL (MoBral em Lorotas).


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